O GRANDE CHEFE

O GRANDE CHEFE

(Direktøren for det hele)

2006 , 99 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lars von Trier

    Equipe técnica

    Roteiro: Lars von Trier

    Produção: Meta Louise Foldager, Signe Jensen, Vibeke Windeløv

    Estúdio: Canal+, Det Danske Filminstitut, Film i Väst, Filmstiftung Nordrhein-Westfalen, Icelandic Film Center, Liberator Productions, Lucky Red, Memfis Film, Nordisk Film- & TV-Fond, Orione Cinematografica, Pain Unlimited GmbH Filmproduktion, Slot Machine, Sveriges Television (SVT), Trollhättan Film AB, Zentropa Productions, Zik Zak Kvikmyndir

    Elenco

    Anders Hove, Benedikt Erlingsson, Casper Christensen, Friðrik Þór Friðriksson, Henrik Prip, Iben Hjejle, Jean-Marc Barr, Jens Albinus, Louise Mieritz, Mia Lyhne, Peter Gantzler, Sofie Gråbøl

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O cineasta Lars Von Trier possui uma das mais peculiares mentes pensantes no cinema atual. Sua peculiaridade não é no sentido ruim da palavra, muito pelo contrário: sua forma única de ver o cinema fez com que ele criasse alguns dos filmes mais inventivos dos últimos anos, como Europa (1991), Dançando no Escuro (2000) e Dogville (2003). Além disso, ao lado de outros cineastas dinamarqueses - como Thomas Vinterberg (Querida Wendy) - criou o movimento Dogma 95, um sopro no cinema mundial ocorrido nos anos 90. É com alguns elementos desse manifesto que ele se insere no gênero da comédia - pouco explorado em sua filmografia - em O Grande Chefe, que já chega com a proposta de "tirar sarro de uma cultura metida a besta", conforme o diretor elucida durante o filme.

    Trier leva o ambiente artístico ao corporativo - dicotômicos, em sua concepção - ao criar a história de o ator desempregado e mal-sucedido Kristoffer (Jens Albinus), contratado por Ravn (Peter Gantzler), um empresário inescrupuloso, porém carismático. Ele criou uma farsa em sua companhia: para não ter todas as responsabilidades sociais e o conseqüente ódio de seus funcionários, inventou ser um mero funcionário que recebe ordens de um chefe fictício. Mas, para completar uma transação, precisa dar forma ao dono da empresa. A forma é incorporada pelo ator contratado. No entanto, na convivência, o ator começa a criar laços afetivos com os seus funcionários da empresa, impedindo sua missão neste trabalho.

    Apesar de já avisar ao espectador sua falta de intenção em relação à reflexão, Trier explora algumas questões importantes na sociedade moderna, como a frieza no tratamento humano dentro das corporações e a forma como isso pode acabar não se realizando quando se cria uma pequena sociedade criada dentro de uma empresa. A relação entre os personagens torna-se tão real e palpável que o ambiente corporativo, baseado em farsas, é "humanizado" pela presença de um ator. Desta forma, O Grande Chefe também pode ser visto como uma tentativa do próprio diretor em "humanizar" a comédia "quadradas", de fórmulas prontas, feitas atualmente. Ironicamente, foram usadas câmeras controladas por computadores na direção deste longa (uma nova técnica chamada Automavision), dando esse distanciamento frio à direção com enquadramentos estranhos, porém interessantes.

    O Grande Chefe traz alguns elementos cinematográficos propostos pelo Dogma 95, como a ausência de trilha sonora e iluminação artificial; desta forma, a narrativa e atuações são mais valorizadas do que esses artifícios cinematográficos. O Grande Chefe brinca com as fórmulas pré-concebidas desse gênero e as intenções do diretor são explicitadas com sua narração durante o longa. Trier faz questão de interromper a história quando bem entende para explicar suas escolhas na concepção do longa - inclusive na idéia de simplesmente fazer um filme despretensioso, que não exige reflexão após a projeção, ao contrário da maioria de seus trabalhos. Isso já faz com que esta comédia seja totalmente diferente do convencional; trata-se de uma visão muito particular do cineasta e isso já vale o ingresso, principalmente para os que admiram suas escolhas autorais.

    Em tempo: Trier escondeu em O Grande Chefe uma série de dicas visuais que, juntas, formam um código a ser decifrado. O jogo se chama Lookey, contração da frase em inglês "Look for the key" (algo como "procure pela chave"). As dicas estão fora do contexto visual da produção.

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