O Homem das Multidões

O HOMEM DAS MULTIDÕES

(O Homem das Multidões)

2013 , 95 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 31/07/2014

página inicial do filme
  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Cao Guimarães, Marcelo Gomes

    Equipe técnica

    Produção: Beto Magalhães, João Vieira Jr

    Fotografia: Ivo Lopes Araújo

    Trilha Sonora: O Grivo

    Estúdio: Cinco em Ponto, Lucas Sander, REC Produtores Associados

    Montador: Cao Guimarães, Marcelo Gomes

    Elenco

    Jean-Claude Bernardet, Paulo André, Silvia Lourenço

  • Crítica

    28/07/2014 18h48

    A solidão é algo que compartimenta o indivíduo nele mesmo. É como se houvesse uma fronteira delimitando o entorno do solitário, mesmo que este esteja cercado de gente a todo o instante. Assim vive Juvenal (Paulo André), protagonista de O Homem das Multidões. Ele é maquinista do metrô de Belo Horizonte, vive numa metrópole, conduz milhares de pessoas de um lado para o outro todos os dias, mas é profundamente só.

    Os diretores Cao Guimarães (Otto) e Marcelo Gomes (Era Uma Vez Eu Verônica) propõem uma ousadia estética logo de início. A bolha de retraimento habitada por Juvenal se expõe fisicamente na tela de cinema. O filme é exibido com proporção de tela reduzida. A projeção ocupa o 1/3 central sem se expandir para as laterais. Um incômodo visual que transporta o espectador rapidamente para a angústia solitária do personagem.

    Quando não está sozinho na cabine do trem, Juvenal está sozinho caminhando pelas ruas apinhadas de gente, no bar onde toma um trago enquanto ri sozinho da gargalhada de uma mulher numa mesa próxima. Está só em seu apartamento onde atravessa as madrugadas insone e continua apartado do mundo mesmo quando precisa de sexo e contrata os serviços de uma prostituta.

    Da mulher que faz Juvenal rir no bar, só ouvimos a gargalhada. Da garota de programa, só vemos sua silhueta por trás e à distância. O personagem não se comunica com o mundo e o espectador também é privado disso. Quem quebra esse distanciamento é Margô (Silvia Lourenço), funcionária do metrô responsável pelo fluxo das linhas. Contrariando a máxima dos opostos que se atraem, os dois se aproximam por serem iguais. Margô é outra vítima da solidão urbana.

    Ela mora com o pai (Jean-Claude Bernardet), com quem pouco fala, e passa as noites trancada no quarto se socializando com o mundo pela internet. Foi pela rede que econtrou o noivo e, mesmo o conhecendo pouco, vai se casar em breve - subterfúgio radical para fugir da solidão. Mas como só tem amigos virtuais, se vê com problemas em conseguir um padrinho. Escala então Juvenal para a função, a única pessoa fisicamente próxima o suficiente para convidar.

    Os encontros de Juvenal e Margô são carregados de um silêncio aflitivo. Eles pouco falam quando estão juntos, sentem-se incomodados com a presença do outro. As emoções afloram quando estão distantes e se comunicam pelas câmeras de monitoramento das estações do metrô. A barreira imposta pelo meio eletrônico que transmite a imagem livra esses dois tímidos do cara-a-cara constrangedor.

    O noivo de Margô nunca aparece de fato. Somente de costas, à distância, na penumbra. É fugaz para o espectador como também para ela. Há um diálogo interessantíssimo no qual Margô diz que as pessoas são difíceis, fácil é o computador. "Você escreve uma coisa lá no chat e ele responde". Margô vai se casar, Juvenal será seu padrinho, mas pode ser que as relações humanas sem intermediações eletrônicas ainda sejam imbatíveis... Pelo menos por enquanto.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus