O Homem Duplicado

O HOMEM DUPLICADO

(Enemy)

2013 , 90 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia: 19/06/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Denis Villeneuve

    Equipe técnica

    Roteiro: Javier Gullón

    Produção: M.A. Faura, Niv Fichman

    Fotografia: Nicolas Bolduc

    Trilha Sonora: Danny Bensi, Saunder Jurriaans

    Estúdio: Mecanismo Films, Rhombus Media, Roxbury Pictures

    Montador: Matthew Hannam

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Alexis Uiga, Darryl Dinn, Isabella Rossellini, Jake Gyllenhaal, Joshua Peace, Kedar Brown, Megan Mann, Mélanie Laurent, Misha Highstead, Sarah Gadon, Tim Post

  • Crítica

    19/06/2014 14h41

    Por Daniel Reininger

    O suspense psicológico Homem Duplicado, baseado na obra de José Saramago, navega por ambientes obscuros para explorar a mente do homem do século 21. Jake Gyllenhaal encara um papel duplo: Adam, professor de história insatisfeito com a vida, e Anthony, um ator que vai atrás do que quer, sempre. Eles são idênticos fisicamente, não são irmãos biológicos e acabam obcecados com a existência um do outro.

    A sequência de abertura, na qual uma das versões de Jake Gyllenhaal está em um clube secreto de sexo para acompanhar o esmagamento ritualístico de uma tarântula pelo salto de uma mulher nua, já deixa claro que o filme trabalhará com metáforas e símbolos. O diretor Denis Villeneuve (Os Suspeitos) planta as ideias, mas deixa a imaginação do espectador voar, conforme a história de Adam evolui.

    Ao descobrir a existência de sua cópia em um filme, Adam vai atrás de respostas e o que ele descobre não faz o menor sentido. Aos poucos, Villeneuve começa a nublar os limites da realidade e os fatos se tornam menos importantes do que os sentimentos e desejos dos envolvidos. Conforme o longa se aprofunda na bizarrice, o mistério perde cada vez mais a importância e as fragilidades humanas ganham destaque.

    O ambiente onírico de Homem Duplicado permite a Gyllenhaal brincar ao interpretar Adam e Anthony, personagens que parecem saídos de um filme de Hitchcoock. Eles são opostos em todos os sentidos e, aos poucos, passam a ter uma relação doentia. O longa desiste então de focar na investigação da coincidência e mostra as forças que atraem esses personagens diante da iminente colisão entre esses dois mundos tão diferentes.

    O cineasta faz questão de nos lembrar constantemente que não devemos levar Adam e Anthony tão a sério assim. Quando Adam fala com sua mãe (Isabella Rossellini) sobre a possibilidade de ela ter tido gêmeos, ela começa a falar do filho e descreve com precisão as particularidades de Anthony. Seriam eles a mesma pessoa? A resposta não é tão simples e o espectador é jogado cada vez mais numa rede de metáforas. A questão aqui é analisar as obsessões masculinas e seu subconsciente.

    Visualmente provocante, a adaptação capta bem o espírito da frase do Saramago: "O caos é uma ordem por decifrar", tanto que aparece no pôster do longa. Levando isso em conta, podemos não estar vendo a implosão de dois homens e sim a mente conturbada de um homem normal, que não tem nada de tão diferente da maioria dos seres humanos. A narrativa nunca dá pistas claras do que acontece e navega bem entre sonhos e ilusões. Mérito de Villeneuve que consegue mostrar dois homens perdendo o controle de suas vidas de forma violenta e com precisão assustadora.

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