O HOMEM DUPLO

O HOMEM DUPLO

(A Scanner Darkly)

2005 , 100 MIN.

16 anos

Gênero: Animação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Richard Linklater

    Equipe técnica

    Roteiro: Richard Linklater

    Produção: Anne Walker-Mcbay, Erwin Stoff, Jonah Smith, Palmer West, Tommy Pallotta

    Fotografia: Shane F. Kelly

    Estúdio: Thousand Words

    Elenco

    Dameon Clarke, Heather Kafka, Jack Cruz, Jason Douglas, Keanu Reeves, Marco Perella, Melody Chase, Mitch Baker, Robert Downey Jr., Rory Cochrane, Steven Prince, Winona Ryder, Woody Harrelson

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Por mais que as técnicas cinematográficas se desenvolvam, nada supera o prazer de uma história bem contada. O novo filme de Richard Linklater, O Homem Duplo, prova isso novamente. A técnica de animação realmente impressiona (nos primeiros minutos), mas a falta de um bom roteiro logo permite que a sonolência se sobreponha à novidade. A exemplo do que já havia feito no quase insuportável Waking Life (2001), Linklater novamente realiza uma animação computadorizada feita a partir da filmagem convencional dos atores em ação real. O processo foi batizado de "rotoscopia interpolada", mas, a grosso modo, pode-se dizer que é um programa de computador que "desenha e pinta" as imagens que foram previamente captadas em filme. Na era pré-digital, artistas como Ralph Bakshi, por exemplo, faziam algo parecido a mão, na raça, como pode ser visto no antológico American Pop, de 1981.

    É uma pena que o roteiro - escrito pelo próprio Linklater - não tenha sido feliz ao adaptar a idéia original do livro A Scanner Darkly, do já falecido Phillip K. Dick. Afinal, os textos de Dick já originaram grandes filmes de ficção científica, como Blade Runner - O Caçador de Andróides, O Vingador do Futuro e Minority Report - A Nova Lei. O roteirista Charlie Kaufmann e o diretor Terry Gilliam já haviam começado a desenvolver projetos baseados em A Scanner Darkly, mas, infelizmente, nenhum deles vingou.

    Ambientada num futuro próximo, a história fala de uma nova e poderosa droga que causa forte dependência e sérios danos cerebrais. O policial Bob Arctor (Keanu Reeves) trabalha infiltrado entre os usuários e acaba transformando-se num deles. Sua vida dupla o leva a uma situação esquizofrênica, embaralhando sua mente e tornando cada vez mais invisível o limite entre realidade e alucinação. Chega a lembrar a situação do agente Deckard, de Blade Runner - O Caçador de Andróides, que também vive a angústia de não conseguir diferenciar exatamente os humanos dos replicantes, podendo ele próprio ser um dos andróides a quem devia destruir.

    Porém, Linklater se perde em diálogos gigantescos, sonolentos e supostamente cínicos (herança de Tarantino?), transformando o que poderia ser uma boa ficção científica numa experiência enfadonha. Isso sem contar no desperdício de um bom elenco, que traz ainda Winona Ryder, Robert Downey Jr. e Woody Harrelson. Todos devidamente "desenhados por cima".

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