O HOMEM QUE COPIAVA

O HOMEM QUE COPIAVA

(O Homem Que Copiava)

2003 , 123 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jorge Furtado

    Equipe técnica

    Roteiro: Jorge Furtado

    Produção: Luciana Tomasi, Nota Goulart

    Fotografia: Alex Sernambi

    Trilha Sonora: Leo Henkin

    Estúdio: Casa de Cinema de Porto Alegre

    Elenco

    Carlos Cunha, Júlio Andrade, Lázaro Ramos, Leandra Leal, Luana Piovani, Paulo José, Pedro Cardoso

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Em Tempos Modernos (1936), Charles Chaplin levou às telas o homem da era industrial, reduzido a gestos mecânicos, "esquizofrênico" pelo parcelamento das tarefas, vítima de um sistema que fragmentou o trabalho em benefício do ganho na produção. A esse novo homem, não era necessário conhecer todo o processo produtivo, como nos tempos do trabalho manufaturado, mas apenas parte dele. Sem poder evitá-lo, se adaptou ao sistema, fragmentando-se. É sobre essa colcha de retalhos em que se transformou nossas vidas no último século que trata O Homem que Copiava, segundo longa de Jorge Furtado, que antes havia feito o bom Houve Uma Vez Dois Verões.

    Décadas depois, o nosso homem dos tempos modernos continua a repetir gestos mecânicos. Ele é André (Lázaro Ramos), tem 20 anos, segundo grau incompleto e trabalha como operador de fotocopiadora numa papelaria de Porto Alegre. Mora com a mãe e, no tempo livre, gosta de desenhar histórias em quadrinhos. Sua rotina é passar os dias lendo fragmentos das coisas que copia. Como todo jovem, sonha em mudar de vida e ganhar dinheiro. É pelos olhos de André conhecemos os outros personagens da trama. A mais importante para ele é Silvia (Leandra Leal), jovem que trabalha como balconista de uma loja de roupas de manhã e estuda à noite. Ela é a grande paixão de André, que a observa por um binóculo da janela de seu quarto todas as noites. Há também a Marinês (Luana Piovane), a gostosona atendente da papelaria. Seu sonho é se casar com um homem rico e mudar de vida. Ela é a grande paixão de Cardoso (Pedro Cardoso), que até deixou de fumar por sua causa, mas que mesmo assim não tem nenhuma chance conquistá-la porque é pobre e, como todos os outros, precisa mudar de vida.

    A busca do amor e, claro, do dinheiro, vai levar esses quatro personagens a se enveredarem numa trama com toques surrealistas que mistura comédia, drama, romance, aventura policial e tragédia, numa dinâmica e bem-conduzida colagem de gêneros, que surpreende o espectador e ratifica o talento de Jorge Furtado em contar histórias. O Homem que Copiava é simples, fácil de ser assistido e digerido, mas está longe de ser óbvio e simplista. Mesmo fazendo uso do humor e narrando situações pouco críveis, aborda temas sérios e atuais como a falta de perspectivas dos jovens, a busca incessante por dinheiro, o trabalho alienado e o fracasso do mito da mobilidade social. Tudo isso sem ser panfletário, sem desfilar ideologias, sem deixar de ser uma excelente diversão.

    O cinema de vez em quando nos revela boas surpresas e O Homem que Copiava, sem dúvidas, é uma delas.

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