O HOMEM QUE DESAFIOU O DIABO

O HOMEM QUE DESAFIOU O DIABO

(O Homem que Desafiou o Diabo)

2007 , 106 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 28/09/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Moacyr Góes

    Equipe técnica

    Roteiro: Bráulio Tavares, Moacyr Góes

    Produção: Fábio Barreto, Lucy Barreto, Luiz Carlos Barreto, Paula Barreto

    Fotografia: Jacques Cheuiche

    Trilha Sonora: André Moraes

    Estúdio: Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas

    Elenco

    Fernanda Paes Leme, Flávia Alessandra, Marcos Palmeira, Renato Consorte, Sérgio Mamberti

  • Crítica

    28/09/2007 00h00

    A riqueza cultural nordestina - ampla, plural, profunda e multifacetada - dificilmente é compreendida pelos produtos áudio visuais que saem dos estúdios da Rede Globo - TV ou cinema, tanto faz. Na maioria das vezes, as novelas, seriados e filmes "globais" preferem uniformizar as manifestações culturais do nordeste brasileiro sob uma mesma lente de pouco alcance, achatando nuances, eliminando sutilezas e traduzindo tudo para um estranhíssimo sotaque inexistente, que coloca num mesmo caldeirão a buchada de bode e o chope do Baixo Leblon. Que "nordestinês" é esse, inventado pela emissora do Jardim Botânico? O Homem Que Desafiou o Diabo, o novo filme de Moacyr Góes (o mesmo de Dom e Trair e Coçar é Só Começar) não é diferente.

    A partir do romance As Pelejas de Ojuara, do escritor potiguar radicado no Rio de Janeiro Nei Leandro de Castro, o roteirista Bráulio Tavares (que também escrevia episódios do finado seriado cômico de Sai de Baixo) desenvolveu a história de Zé Araújo (Marcos Palmeira, que faz o que pode para tentar esconder seu forte sotaque carioca, mas acaba criando uma caricatura), um vendedor de tecidos que perambula pelo nordeste brasileiro à caça de bons negócios e belas mulheres. Numa aventura noturna, ele acaba desvirginando Dualiba (Lívia Falcão) e, logo na manhã seguinte, é forçado ao casamento pelo pai da garota, vivido pelo sempre ótimo Renato Consorte. Após certo tempo, mostrando-se completamente "incompatível" com a vida de casado, Araújo se revolta, dá uma surra na esposa, humilha o sogro e vai ao cartório mudar seu nome para Ojuara. Nasce um novo homem, destemido, aventureiro, sem destino nem fronteiras. E tem início, assim, a saga de um sertanejo que não teme a nada. Nem o Diabo em pessoa, vivido por Helder Vasconcelos, um pesquisador cultural que estréia no cinema num trabalho marcante.

    Percebe-se que todo o elenco se esforça, mas o roteiro e a direção mão pesada não ajudam. Provavelmente em busca do grande público, a opção é pelo humor chulo, que resvala num estilo de pornochanchada tardia, com data de validade pra lá de vencida. Mas o maior problema do filme, porém, é sua falta de identidade nordestina. O "nordestinês" citado acima não se refere apenas ao sotaque verbal, mas a toda uma forma de se ver e se pensar o nordeste, que dificilmente a Globo consegue alcançar. O Homem que Desafiou o Diabo é o sertão nascido em Jacarepaguá: não tem alma. É cinema feito no Projac: por mais que se esforce, tem gosto e cheiro de TV. E TV malfeita.

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