O JULGAMENTO DE VIVIANE AMSALEM

O JULGAMENTO DE VIVIANE AMSALEM

(Geet)

2014 , 115 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 20/08/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ronit Elkabetz, Shlomi Elkabetz

    Equipe técnica

    Roteiro: Ronit Elkabetz, Shlomi Elkabetz

    Produção: Denis Carot, Marie Masmonteil, Sandrine Brauer, Shlomi Elkabetz

    Fotografia: Jeanne Lapoirie

    Trilha Sonora: Bassel Hallak

    Estúdio: Elzévir, Riva Films

    Montador: Joel Alexis

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Abraham Celektar, Albert Iluz, Dalia Beger, David Ohayon, Eli Gornstein, Evelin Hagoel, Gabi Amrani, Keren Mor, Menashe Noy, Rami Danon, Roberto Pollack, Ronit Elkabetz, Sasson Gabai, Shmil Ben Ari, Simon Abkarian

  • Crítica

    20/08/2015 17h23

    Em Israel, de acordo com algumas leis religiosas, só é possível se divorciar quando há o consentimento do marido. Caso contrário, é necessário que o casal passe por uma audiência para ver se as duas partes entram em algum acordo. E é aí que O Julgamento De Viviane Amsalem se torna um bom drama. O filme o tempo inteiro se mostra corajoso ao criticar fortemente o conservadorismo e o machismo que cercam as religiões em geral.

    O longa já começa na primeira audiência de divórcio de Viviane e Elisha e logo no início percebemos que aquelas imensas salas de tribunais, muitas vezes usadas em diversos filmes hollywoodianos de julgamento, dá lugar a uma simples sala com apenas os envolvidos do caso e totalmente sem glamour. E isso é interessante, pois mostra que a ideia dos diretores Ronit e Shlomi Elkabetz não é causar grandes alardes e sim encontrar a melhor solução para Viviane e Elisha.

    Ao longo da trama, fica evidente para o espectador que a protagonista não sente mais amor pelo seu companheiro e é nesse ponto que a dupla de cineastas resolve criticar fortemente o conservadorismo e o machismo. Isso fica evidente na figura dos juízes, que se posicionam de maneira firme o tempo inteiro e classificam os motivos apresentados por Viviane, de querer sair de casa, como irrelevantes.

    Para eles, se o marido não bate na esposa e fornece todos os bens materiais necessários para a vida do casal, não há razão para a moça pedir o divórcio. E esse vira o verdadeiro objetivo da personagem central: convencer a todos, principalmente as autoridades, que não há mais condições de viver ao lado do marido.

    Também é interessante perceber que a história é conduzida sem se tornar maniqueísta. Em nenhum momento pensamos que Viviane é uma mulher frágil ou uma pobre vítima. Pelo contrário. Vemos nela uma mulher decidida e disposta a esperar o tempo que for necessário para conseguir o que quer (o processo chega a durar quatro anos).

    Os juízes também não são perversos. Eles apenas tentam seguir uma ideologia que os precede. O que pode incomodar o espectador nesse ponto específico é que não há o questionamento dessa ideologia. No entanto, essa é a verdadeira intenção dos Elkabets: expor ao público tudo o que cerca o conservadorismo religioso para depois as pessoas tirarem as próprias conclusões.

    Apesar de ser cansativo em algumas partes, O Julgamento de Viviane Amsalem se apresenta como uma boa obra humanista, que desperta o debate de assuntos delicados e pertinentes. Sua intenção não é tomar partido e, sim, apenas discutir as regras religiosas e o conservadorismo como um todo. E isso o filme faz muito bem.

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