O LEITOR

O LEITOR

(The Reader)

2008 , 124 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 06/02/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Stephen Daldry

    Equipe técnica

    Roteiro: David Hare

    Produção: Harvey Weinstein, Scott Rudin

    Fotografia: Chris Menges

    Trilha Sonora: Nico Muhly

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Alexandra Maria Lara, Bruno Ganz, David Kross, Kate Winslet, Ralph Fiennes

  • Crítica

    06/02/2009 00h00

    Em 2000, Stephen Daldry estreou em longa-metragem com Billy Elliot, um filme afetado e cheio de clichês protagonizado por Jamie Bell (de Jumper e Querida Wendy), estreante no cinema. Dois anos depois, atingiu o nível mais baixo na escala melodramática com As Horas, subliteratura disfarçada de filme sensível, em que a única coisa que não procurava a chantagem emocional com o espectador era a atuação de Meryl Streep, atriz sempre apta a driblar trabalhos que existem como se o cinema fosse incapaz de fugir do domínio da palavra, em que os diálogos conduzem a uma espécie de camisa de força narrativa que impede o respiro além do choro.

    Mas um crítico é, antes de tudo, um amador. Ele ama o cinema e torce para que os diretores que abomina se tornem grandes, ou ao menos melhores. Espera sempre que um filme do qual não espera nada o surpreenda, o leve para caminhos impensados e está sempre disposto a queimar a língua a respeito de obras e autores, revendo e repensando as linhas de força envolvidas nessa arte tão apaixonante.

    A primeira meia hora de O Leitor, terceiro longa de Daldry, até que surpreende. Vemos o início de um relacionamento carnal entre um menino de quinze anos e uma mulher de quase quarenta, Hanna (Kate Winslet, de Foi Apenas um Sonho). Trata-se de um flashback do advogado interpretado por Ralph Fiennes (Na Mira do Chefe), lembrando de sua paixão avassaladora de adolescente. Acompanhamos um erotismo calculado, é fato, com a nudez sendo mostrada rapidamente e com a ajuda de filtros. Ainda assim, estamos distante das amarras que aprisionavam As Horas dentro da cartilha do bem fazer.

    Não que em O Leitor deixemos de perceber que há uma cartilha regendo tudo, o que incomoda. Mas ao menos é possível, nessa primeira meia hora, enxergar um quê de ousadia, uma vontade de deixar o espectador perceber as coisas aos poucos, e intuir muito do que poderá acontecer.

    Depois, descobrimos junto do advogado, enquanto cursava a faculdade de direito, que sua ex-amante estava em julgamento por ter trabalhado na SS nazista. Em determinado momento, talvez o mais forte do filme, o promotor pergunta se ela realmente tinha escolhido dez jovens para levá-las à morte, ao que ela responde: "o que o senhor teria feito?", obtendo um olhar perplexo que indica a ausência de uma resposta possível àquele desafio. Neste pequeno trecho, percebemos algumas possibilidades interessantes, nos ajeitamos na poltrona porque o questionamento viria para balançar estruturas, se tivéssemos um piloto mais responsável e articulado conduzindo o filme.

    Quando já estamos instalados no lugar comum por excelência, no protótipo de filmes para ganhar prêmios de votantes que parecem desconhecer a história do cinema, nos é apresentada uma discussão extremamente interessante: até que ponto os alemães foram coniventes com os absurdos do nazismo, e até que ponto não são todos culpados, a despeito de, por um motivo ou outro (no filme, é o lançamento de um livro de uma das sobreviventes do campo de concentração em que Hanna trabalhava), irem a julgamento?

    Infelizmente, Daldry continua se mostrando incapaz de perseguir esse caminho mais aberto e incerto, afiliando-se, rapidamente, à cartilha do bem fazer da qual parecia querer fugir. O filme abandona as questões rapidamente e adquire aspectos mais facilmente reconhecidos, como uma parede que precisasse de mais uma demão para reforçar sua cor. A obra de Daldry se presta a esse tipo de metáfora: é uma grande parede que vai recebendo demãos da mesma tinta, sem que algo possa se modificar no processo.

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