O LIVRO DA VIDA

O LIVRO DA VIDA

(The Book of Life)

1998 , 63 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Hal Hartley

    Equipe técnica

    Roteiro: Hal Hartley

    Produção: Matthew Mye, Thierry Cajianut

    Elenco

    Abby Royle, Anna Köhler, Joseph McKenna, Katreen Hardt, Martin Donovan, Martin Pfefferkorn, Michael Ornstein, Olga Alexandrova, P.J. Harvey

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Presença constante nos circuitos alternativos, e bem desconhecido do grande público, o diretor americano Hal Hartley foi um dos convidados pela produtora francesa Arte para participar do projeto “O Ano 2000 Visto Por...”. A idéia era mostrar como diversos cineastas dos mais variados países visualizavam a passagem de 1999 para o ano 2000. O filme de Hartley se chama O Livro da Vida, e só agora chega aos nossos cinemas. Antes tarde do que nunca.

    Na visão de Hartley, desembarca em Nova York, no dia 31 de dezembro de 1999, ninguém menos que o próprio Jesus Cristo. Acompanhado de Maria Madalena (a cantora P.J. Harvey), é claro. Esqueçam barbas, túnicas brancas e auréolas douradas: vivido por Martin Donovan, Cristo aqui é apenas mais uma face na multidão. Sua função é fazer com que se cumpra a profecia divina. Ou seja: ele deve encontrar o chamado Livro da Vida (na verdade, um laptop da Macintosh), verificar os nomes das 144 mil pessoas “escolhidas”, e eliminar todas as outras, detonando assim o tão falado apocalipse.
    Porém, Cristo fica na dúvida se é correto ou não fazer o que o Pai lhe ordenou. Sua missão não é das mais fáceis, mesmo porque o Diabo (Thomas Jay Ryan) também está em Nova York...

    Gravado em vídeo e posteriormente transposto para película, O Livro da Vida tem a cara da virada do milênio. É ágil, não esconde influências da linguagem do videoclipe, é cínico e satírico. Sem constrangimentos, coloca Jesus e o Demônio conversando abertamente sobre o quanto eles precisam dos Homens já que, afinal, ambos são crias das fantasias humanas. Discute um pouco de tudo, sem nenhuma pretensão filosófica. Prefere o deboche à reflexão. Não julga, nem admite a existência de um Bem ou de um Mal absolutos.
    Em suma, diverte com classe, categoria, bom humor e inteligência. Precisa muito mais?

    27 de agosto de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, e do Canal 21.

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