O LIVRO DE ELI

O LIVRO DE ELI

(The Book of Eli)

2010 , 118 MIN.

16 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 19/03/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Albert Hughes, Allen Hughes

    Equipe técnica

    Roteiro: Gary Whitta

    Produção: Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Denzel Washington, Joel Silver

    Fotografia: Don Burgess

    Trilha Sonora: Atticus Ross, Claudia Sarne, Leopold Ross

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Denzel Washington, Frances de la Tour, Gary Oldman, Jennifer Beals, Lora Martinez-Cunningham, Luis Bordonada, Mila Kunis, Ray Stevenson, Tom Waits

  • Crítica

    18/03/2010 19h05

    Impossível assistir ao belo drama apocalíptico O Livro de Eli sem que dezenas de referências comparativas invadam nossas mentes: de Mad Max a Era uma Vez no Oeste, de O Planeta dos Macacos (o primeiro) a Eu Sou a Lenda, ou mesmo O Último Homem Sobre a Terra . E tantos outros.

    A boa notícia é que a junção destes retalhos cinematográficos resulta numa obra empolgante que se acompanha com interesse até o final. Por que não? Colchas de patchwork também podem ser quentes e bonitas.

    Tudo começa sem maiores explicações, mostrando um mundo arrasado e o fim da civilização como a conhecemos. No melhor estilo western, um viajante solitário (Denzel Washington) ruma obstinadamente... para o oeste, é claro, ícone da colonização e da ilusão de novos tempos da cultura norte-americana. Não esquecer que Hollywood fica no oeste.

    Como os recursos naturais são praticamente inexistentes, um gole de água pode valer a própria vida (como em Mad Max 2 - A Caçada Continua) e qualquer lencinho umedecido pode proporcionar um belo banho... e um belo merchandising do KFC.

    Em seu árido caminho, o viajante solitário (que muito mais tarde saberemos que se chama Eli) é obrigado a enfrentar gangues de marginais saqueadores assassinos, proporcionando cenas de extrema violência gráfica e explícita que bebem na fonte da estética dos quadrinhos. Não por acaso: o filme é dirigido pelos irmãos Albert e Allen Hughes, os mesmos que dirigiram Do Inferno, adaptação da graphic novel de Alan Moore. Aqui, a história é de Gary Whitta, estreante em cinema.

    Bem, faltam o vilão e a mocinha. Eles logo aparecerão, mais precisamente numa vila de horrores governada com mão de ferro por Carnegie (Gary Oldman), que mantém como escravas a bela Claudia (Jennifer Beals, ícone dos anos 80 com Flashdance) e a filha dela Solara (a ucraniana Mila Kunis, de That 70´s Show e Family Guy ).

    Chama a atenção o fato de Carnegie estar desesperadamente à procura não de uma arma, nem de água, mas sim de um livro. Um livro que - acredita ele - lhe dará grandes poderes.

    Desnecessário dizer - o título do filme já faz isso por nós - que Eli tem o tal livro. E está armado o conflito: mocinho, mocinha, vilão (e seu séquito) se lançam num road movie árido, áspero e violento mas que tem conteúdo suficiente para ir além, bem além, de um mero filme de perseguição.

    Emoldurado por uma bela fotografia granulada em tons de terra e areia que ressaltam a aridez e a desolação daquilo em que a Terra se transformou, O Livro de Eli também é pródigo em referências e, digamos, brincadeiras cinematográficas. Um dos personagens, por exemplo, assobia o tema musical composto por Ennio Morricone para Era uma Vez na América, numa clara homenagem ao diretor Sergio Leone, mestre dos faroestes italianos, cujo estilo está bem estampado em todo o filme.

    Em outra cena, Eli e Solara conseguem guarida de um supostamente inofensivo casal de velhinhos batizados singelamente como Martha e George. São nomes simbólicos da cultura norte-americana que remetem a Martha e George Washington, como que simbolizando no que os EUA se transformaram.

    E não deixa ser irônica a presença, neste futuro detonado, do ator Malcolm McDowell, que nos anos 70 foi um dos maiores representantes dos horrores do “futuro próximo” ao estrelar o clássico Laranja Mecânica.

    Cinefilia a parte, O Livro de Eli aborda uma sociedade em profunda transformação, onde a ignorância e a violência são moeda corrente, e onde os poucos alfabetizados que ainda restam sobre o planeta buscam num livro - boa metáfora para sabedoria - a chave para o poder e dominação (para o lado do Mal) ou para a libertação e o conhecimento (para o lado do Bem). Sim: talvez a história do filme não seja tão “ficção científica” assim.

    A lamentar apenas os minutos finais, onde o roteiro descamba para aquela obsessão típica do cinema americano em tentar explicar tudo, fechar tudo, aparar todas as arestas, e se certificar que o público saia da sala sem ter muito o que pensar. Se terminasse uns cinco minutinhos antes, O Livro de Eli seria bem melhor, mas é um trabalho que merece ser conferido.

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