O LOBISOMEM (2009)

O LOBISOMEM (2009)

(The Wolfman (2009))

2009 , 125 MIN.

18 anos

Gênero: Terror

Estréia: 12/02/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Joe Johnston

    Equipe técnica

    Roteiro: Andrew Kevin Walker, David Self

    Produção: Benicio Del Toro, Rick Yorn, Scott Stuber, Sean Daniel

    Fotografia: Shelly Johnson

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: Relativity Media, Stuber Productions, Universal Pictures

    Distribuidora: Universal Pictures Brasil

    Elenco

    Anthony Debaeck, Anthony Hopkins, Antony Sher, Art Malik, Asa Butterfield, Barry McCormick, Benicio Del Toro, Branko Tomovic, C.C. Smiff, Clive Russell, Cristina Contes, Dave Fisher, David Keyes, David Schofield, David Sterne, Elizabeth Croft, Emil Hostina, Emily Blunt, Emily Cohen, Gemma Whelan, Geraldine Chaplin, Hugo Weaving, Ian Peck, Jake Nightingale, Jessica Manley, John Owens, Lorraine Hilton, Malcolm Scates, Mario Marin-Borquez, Michael Cronin, Nicholas Day, Olga Fedori, Oliver Adams, Piotr Baumann, Richard James, Rick Baker, Rob Dixon, Roger Frost, Shaun Smith, Simon Merrells

  • Crítica

    12/02/2010 13h33

    Um pouco de História sempre faz bem. Após a crise de 1929, quando o mundo financeiro ocidental entrou em colapso, a Universal Pictures buscou inspiração nos belos e perturbadores filmes de terror que o Expressionismo Alemão produzira no pós-I Guerra, requentou o gênero, e inaugurou o cinema de horror norte-americano, a reboque do alemão. São dela clássicos como “Drácula”, “A Múmia” e “Frankenstein”, histórias terríveis que alcançaram sintonia plena com uma plateia apavorada pelos efeitos da grande Crise. Os monstros fictícios da tela encontraram total ressonância nos monstros da vida real.

    Décadas depois, a mesma Universal se aproveita novamente dos tempos de crise e dá roupagem nova para o clássico O Lobisomen, que empresa já havia filmado em 1941. Basta lembrar de A Múmia (1999) e Van Helsing (2004) para perceber que esta não é a primeira vez que a Universal ressuscita seus monstros.

    Diferente de Drácula e Frankenstein, o Lobisomem não é um personagem nascido na literatura, mas sim no imaginário popular. O roteiro desta nova produção tem como ponto de partida o próprio filme de 1941, embora ambos sejam extremamente diferentes em suas propostas e concepções. Aqui, tudo começa quando o ator de teatro Lawrence Talbot (Benicio del Toro), que estava atuando em Nova York, é chamado às pressas de volta à sua Inglaterra natal. Motivo: seu irmão Ben foi brutalmente assassinado por algo que não se sabe exatamente o que é. Uma fera, um louco? Lá chegando, Lawrence se reencontra com o pai (Anthony Hopkins) e conhece a bela Gwen (Emily Blunt, do recente A Mente que Mente), inconsolável namorada do falecido irmão. Começa então a investigação para saber quem ou o quê teria destroçado Ben.

    Sem abandonar o registro de blockbuster, O Lobisomem consegue ser interessante tanto para o público que busca apenas uma boa história de horror, como também para quem procura algo a mais na telona do cinema.

    Percebe-se na história como o pânico do desconhecido provoca as mais diferentes reações, nos diferentes grupos. O limitado dono da taverna, por exemplo, representando o inconsciente coletivo popular, acha que tudo é sempre culpa dos ciganos. Ou dos “imigrantes ilegais”, numa leitura mais século 21. A conservadora Igreja atribui as mortes como sendo “o poder que Satã tem de transformar o homem em besta”. A Ciência busca a lógica extrema, e é ridicularizada (e brutalmente penalizada) por isso. E a polícia, na figura do investigador Abberline (Hugo Weaving) segue por um dos raciocínios mais bizarros, pressupondo que Lawrence seja o culpado pois ele, sendo um ator, tem o poder de encarnar as mais diversas personalidades.

    A verdade porém virá travestida de Psicologia, abordando a “herança maldita” de pai para filho, onde o filho terá de matar o pai - literal ou simbolicamente - para soltar as amarras de sua personalidade e se abrir para a Vida. Parecido com o que acontece com o mito do cavaleiro Lancelot, obrigado a matar a própria mãe.

    A sempre bem-vinda fina ironia britânica (o filme é uma co-produção entre ingleses e norte-americanos) também está presente em O Lobisomem, principalmente na figura sempre elegante de Anthony Hopkins, a quem foram destinados os melhores diálogos. Em alusão aos lobos, ele chama seu filho de “puppy” (filhote de cachorro), e ainda consegue inserir na sua fala um “to be or not to be”, lembrando sarcasticamente que Lawrence interpretara Hamlet no teatro.

    Nada disso, porém vai interessar aos que buscam em O Lobisomem apenas um bom entretenimento. Neste sentido, o filme também é bastante eficiente, desfilando uma exuberante fotografia de poucas luzes e tons escuros (afinal, estamos na Inglaterra vitoriana), uma direção de arte preciosa, e não decepcionando quem procura uma história de terror com bom ritmo de ação e uma pitada de suspense.
    Tudo sob o comando do diretor Joe Johnston (de Jumanji e Jurassic Park 3) e do veterano da maquiagem Rick Baker, vencedor do primeiro Oscar de Maquiagem com o filme - não por acaso - Um Lobisomem Americano em Londres, que John Landis dirigiu em 1981.

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