O LOBO

O LOBO

(El Lobo)

2004 , 123 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Miguel Courtois

    Equipe técnica

    Roteiro: Antonio Onetti

    Fotografia: Francesc Gener

    Trilha Sonora: Francesc Gener

    Elenco

    Aitor Mazo, Eduardo Noriega, Jorge Sanz, José Coronado, Mélanie Doutey, Patrick Bruel, Silvia Abascal

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Filmes sobre militantes esquerdistas pegando em armas para combater ditaduras políticas existem muitos, como o recente Cabra-Cega (2005). Dessa forma, o ineditismo ao pisar nesse tema fica cada vez mais difícil. Saindo do âmbito brasileiro e partindo para a luta armada rebelde temos O Lobo. Dirigido por Miguel Courtois, esta produção espanhola mostra a história de um informante inserido na organização ETA (Euzkadi Ta Azkatasuna, algo como "Pátria Basca e Liberdade"), organização que luta pela independência do País Basco - região entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França.

    Baseado em uma história real, O Lobo se passa na década de 70, durante a ditadura do general Francisco Franco na Espanha. É quando Txema (Eduarto Noriega, de Plata Quemada), um construtor basco, é preso pela polícia. Conectado ao ETA, recebe a proposta de colaborar com a polícia a fim de se livrar das acusações e, também, conseguir sustentar sua família, uma vez que o dinheiro anda cada vez mais curto. Ele ganha o apelido de "Lobo" e passa a trabalhar como informante na organização rebelde.

    Ao mesmo tempo em que começa a crescer dentro da organização, passa informações preciosas para que os militares possam acabar com os planos de ação dos rebeldes. Paralelamente, sua vida pessoal começa a desmoronar, especialmente quando sua mulher, que não concorda com toda essa atividade na qual o marido está metido, resolve abandoná-lo, levando o filho pequeno do casal. No meio de tanto caos, Lobo tem de lidar com os militares - que não são nada amigáveis -, com os terroristas do ETA, com sua família e com a tempestuosa Amaia (Mélanie Doutey), jovem que acaba de entrar para a organização e, também, para a cama de Txema. Entre tiros, explosões e traições, ele transita entre esses caóticos ambientes a todo momento.

    Entendo que esses conflitos como estes retratados em O Lobo sejam recorrentes em se tratando de lutas contra ditaduras militares, mas o filme não traz absolutamente novo em relação ao tema. O espectador não consegue nem se identificar com o protagonista, ou mesmo com qualquer um dos coadjuvantes, simplesmente pela falta de carisma. Não é dito nada de novo sobre esse tema. Dessa forma, O Lobo cai em alguns clichês, como os militares durões de bigode, as brigas ideológicas dentro das instituições rebeldes e a trilha sonora com sucessos do rock-and-roll norte-americano dos anos 70 (até a escolha das músicas chega a ser previsível). No entanto, um ponto forte no longa é a ausência do maniqueísmo ao se retratar os rebeldes. Por mais que os militares sejam retratados como vilões, nem sempre os rebeldes são os bonzinhos, a começar pelo próprio protagonista, um traidor inserido entre os rebeldes, que também tem seus outros traidores.

    A questão da identidade basca e a busca pela sua preservação - ponto essencial na luta do ETA -, não fica bem clara por causa do roteiro, fraco e confuso. No fim das contas, o maior problema de O Lobo é o roteiro, que não consegue sustentar uma história relativamente fascinante nem mostrá-la de forma, no mínimo, atrativa.

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