O MAR

O MAR

(El Mar)

1999 , 107 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Agustí Villaronga

    Equipe técnica

    Roteiro: Agustí Villaronga, Biel Mesquida, Toni Aloy

    Produção: Luis Ferrando

    Fotografia: Jaume Peracaula

    Trilha Sonora: Javier Navarrete

    Elenco

    Antonia Torrens, Bruno Bergonzini, Juli Mira, Roger Casamajor, Simón Andreu

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Espanha, 1936. A Guerra Civil marca profundamente a vida de três crianças – Ramallo, Manuel e Francisca -, expostas de maneira cruel aos horrores do conflito. Anos mais tarde, os três se reencontram, já crescidos, em situação igualmente desesperadora. Manuel (Bruno Bergonzini) está fragilizado por uma forte tuberculose e por profundas dúvidas sexuais e religiosas. Ramallo (Roger Casamajor) tornou-se violento e amargurado. E Francisca (Antónia Torrens) optou por uma solitária vida religiosa. A reunião destes três amigos de infância vai abrir antigas feridas que pareciam esquecidas e dar início a um doloroso processo de busca por ideais perdidos.

    De maneira densa e envolvente, o diretor Augustín Villaronga (premiado no Festival de Berlim) compõe um painel de horrores emoldurado pela cínica limpeza asséptica de um hospital para tuberculosos. O contraste é marcante: traições, crimes, medos e angústias se proliferam em progressão geométrica num ambiente clean, despojado e falsamente desinfetado. Enquanto o chão brilha e finos monogramas são bordados nos lençóis dos doentes, o trio central de personagens arrasta-se para um destino trágico, todos abençoados (ou amaldiçoados) por assustadores crucifixos.

    O Mar representa o sonho de Ramallo. Uma utopia, uma lembrança infantil de um momento fugaz, onde ele imaginou poder conversar com os peixes. Após os traumas da guerra, ele mal consegue conversar consigo mesmo. O filme mostra os horrores do conflito sem precisar apelar para tiroteios ou bombardeios.

    Falado no estranho e fascinante dialeto catalão, O Mar é um filme que propõe um mergulho sem medo pelos meandros de jovens mentes precocemente perturbadas.

    Um excelente elenco de novatos e estreantes associado a uma ótima fotografia em tons frios ajudam a fazer do filme uma opção imperdível para quem aprecia um cinema profundo e diferenciado.

    25 de novembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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