O MESTRE

O MESTRE

(The Master)

2012 , 138 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 25/01/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paul Thomas Anderson

    Equipe técnica

    Roteiro: Paul Thomas Anderson

    Produção: Daniel Lupi, JoAnne Sellar, Megan Ellison, Paul Thomas Anderson

    Fotografia: Mihai Malaimare Jr

    Trilha Sonora: Jonny Greenwood

    Estúdio: Annapurna Pictures, Ghoulardi Film Company

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Aaron B.W. Collins, Aaron Farb, Alexandra Tejeda Rieloff, Allen Pontes, Ambyr Childers, Amy Adams, Andrew Nitzke, Andrew Schlessinger, Andy Dale, Ariel Felix, Arne Starr, Baily Hopkins, Barlow Jacobs, Bill Blair, Bradley E. Smith, Brendan Norman, Brian Bell, Brian Fong, Brian Jagger, Brittany Kilcoyne McGregor, Bryan Westfall, Cabran E. Chamberlain, Carl Marino, Christina Jo'Leigh, Christine Ames, Courtney Howard, Dan Brown, Darren Le Gallo, David Alan Hodges, David Warshofsky, Denis Boulankine, Dylan Saccoccio, Fernando Lara, Fiona Dourif, Frank Bettag, Franklin Ruehl, Grey Wolf, Harold Rudolph, Heather Power, Ian Trottier, James Barbour, Jasmine Fletcher, Jefferson Nogueira, Jeffrey W. Jenkins, Jennifer Neala Page, Jesse Muick, Jesse Plemons, Jesse Soares, Jill Andre, Jillian Bell, Joaquin Phoenix, Joe Foley, John H. Tobin, John Mawson, Jonathan Carr, Jonathan Retamoza-Davila, Joseph R Scott, Josh Fadem, Josh Margulies, Joshua Close, Katie Boland, Kellog Stover, Ken Venzke, Kerry Goodwin, Kevin J. O'Connor, Kevin J. Walsh, Laura Dern, Lena Endre, Liz Clare, Lourdes Nadres, Madisen Beaty, Mari Kearney, Mark Lavell, Mark Roman, Martin Dew, Martin Gagen, Matt Bingham, Matthew Skomo, Michael A. Templeton, Mike Howard, Mimi Cozzens, Montgomery Paulsen, Nicholas Cederlind, Nick Corvello, Paul Loverde, Paul Yeatman, Philip Seymour Hoffman, Phillip Caires, Rami Malek, Ray Medved, Rene NapoliStephane Nicoli, Robert Amico, Sarah Klaren, Scott J. Allen, Shannon Freyer, Sommer Fehmel, Steve Chapman, Terry Lane, Thomas Dalby, Thomas W.Stewart, Timothy D. Rossi, Vanessa Ross, Veronika Kurshinskaya, Vladimir Velasco, W. Earl Brown, Zachary Culbertson

  • Crítica

    17/01/2013 19h20

    Por Daniel Reininger

    O fervor religioso e o perigo dos cultos diante da fragilidade humana são os temas do novo filme de Paul Thomas Anderson (Magnólia). O cineasta se aventura em um terreno perigoso e fértil, sem medo de expor o fanatismo de movimentos como a Cientologia, controversa seita que prega o método científico como caminho para a evolução e cujo surgimento é abordado de forma ficcional nesta obra.

    Ambientada em 1950, diante da decadência do pós-guerra, a trama mostra personagens perdidos, perambulando dia após dia tentando encontrar um sentido para vida, sentimento para o qual “A Causa” é a solução. É aí que entra Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), o mestre, que descreve a si mesmo como escritor, doutor, físico nuclear, filósofo, professor e profeta. Como líder do movimento, ele prega que os membros de seu grupo não são como os outros animais, mas sim pessoas “elevadas” – exatamente o que seu rebanho precisa ouvir.

    Dodd, personagem inspirado no romancista e fundador da Cientologia, L. Ron Hubbard, é um líder espiritual carismático, charlatão, que realmente acredita em um mundo melhor, desde que gire em torno de si. É interpretado de forma magnífica por Hoffman, de fato convincente no papel.

    Só que o verdadeiro protagonista é Freddie Quell (Joaquin Phoenix), revoltado veterano da Segunda Guerra Mundial, viciado em sexo, que vaga pelos Estados Unidos sem achar seu lugar no mundo. Phoenix está magro como nunca e sua aparência debilitada reforça a atuação explosiva e intensa – não à toa está faturando indicações e prêmios ao redor do mundo. O mesmo vale para Hoffman. Juntos, os dois soltam faíscas na tela, alternando momentos de ternura e amizade com discussões calorosas. Enquanto um tenta exercer poder o outro mostra resistência até o fim.

    A relação conturbada dura anos e o desapontamento é mútuo, mas a amizade (se é que pode ser chamada assim) é abalada de vez por Peggy Dodd (Amy Adams), esposa de Lancaster e única mulher a não assumir um papel submisso na organização. Muitas vezes, parece ser quem dá as ordens ali. Ela nunca gostou da atitude de Freddie e toma as rédeas mais de uma vez para manter o controle de sua comunidade, perplexa diante da relação de mestre e discípulo.

    Embora Anderson dirija mais uma vez com eficiência, quem acompanha o cineasta pode se decepcionar com a falta de cenas marcantes, como a chuva de sapos de Magnólia, por exemplo. O Mestre, entretanto, apresenta a mesma relação de amor e ódio que o diretor adora explorar, como o do padre e do assassino em Sangue Negro. A diferença é que aqui a sede por petróleo de Daniel Day-Lewis é substituída pela busca dos protagonistas por amor, poder e controle.

    Visualmente provocante, o filme apresenta uma incrível atmosfera do período. Graças, em parte, à captura em 65 mm, formato que não é utilizado desde o final do século 20, e garante uma imagem maior, com mais detalhes e clareza. A bela fotografia é crucial para o impacto emocional, pois escancara o sentimento e o peso a cada cena.

    Sem apresentar respostas, O Mestre é um drama intimista e envolvente, que não funcionaria sem a entrega, tanto dos personagens às suas crenças e loucuras quanto dos atores aos seus papeis. Sem medo de criar uma discussão filosófica, pode deixar muita gente incomodada, pois seu final é incapaz de fazer jus à carga emocional construída ao longo de suas duas horas. Entretanto, assim como a vida, o que importa é a jornada e não a grandiosidade de seu desfecho.

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