O MISTÉRIO DA LIBÉLULA

O MISTÉRIO DA LIBÉLULA

(Dragonfly)

2002 , 90 MIN.

Gênero: Suspense

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tom Shadyac

    Equipe técnica

    Roteiro: Brandon Camp, Mike Thompson

    Produção: Gary Barber, Mark Johnson, Roger Birnbaum, Tom Shadyac

    Fotografia: Dean Semler

    Trilha Sonora: John Debney

    Estúdio: Universal Pictures

    Elenco

    Alison Lohman, Brian J. Davis, Casey Biggs, Jay Thomas, Joe Morton, Joseph Will, Kathryn Erbe, Kathy Bates, Kevin Costner, Matt Craven, Maz Jobrani, Meg Thalken, Moné Walton, Paul Gutrecht, Ron Rifkin, Samantha Smith, Susanna Thompson

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O que acontece com a carreira de Kevin Costner? Depois de um início meteórico, quando foi comparado a Gary Cooper e chegou até a ganhar o Oscar de direção por Dança com Lobos, o ex-galã parece que foi vítima de uma maldição hollywoodiana e engatou um fracasso após o outro. Como produtor e diretor, afundou em Rapa Nui, Waterworld e O Mensageiro. Como ator, só vem colecionando insucessos e causando prejuízos. O mais recente deles é O Mistério da Libélula, produção que custou US$ 60 millhões e faturou apenas a metade nas bilheterias dos EUA.

    Este suspense dramático com fundo espiritualista mostra Kevin interpretando o Dr. Joe Darrown, chefe do serviço de emergência do Hospital Chicago Memorial. Logo nos primeiros minutos do filme, sua esposa Emily (Susanna Thompson) morre num acidente na Venezuela (as locações são no Havaí), onde realizava missões médicas junto à população carente. Joe fica arrasado. Aos poucos, porém, ele começa a perceber pequenos e estranhos sinais que o fazem acreditar que Emily está tentando entrar em contato com o mundo dos vivos.

    Escrita pelos estreantes Mike Thompson e Brandon Camp, a trama do filme tem momentos difíceis de acreditar e digerir. O que, a princípio, não seria o maior problema de O Mistério da Libélula, já que uma das funções do cinema é nos fazer crer em histórias impossíveis. Porém, enredos difíceis necessitam de direção aprimorada, daquele toque especial que envolve o espectador e faz com que ele aceite de coração aberto o que está sendo mostrado na tela. Isso não acontece em O Mistério da Libélula. Tom Shadyac volta a apresentar a mesma direção estilo mão pesada que já havia demonstrado em Ace Ventura, Patch Addams e O Professor Aloprado. Sutileza não é realmente o seu forte. Lâmpadas queimando e outros sinais fantasmagóricos pipocam sem nenhuma finesse. O roteiro também não ajuda: repete informações sem necessidade e inflaciona de personagens desnecessários uma trama por si só já bastante barroca. Qual a função, por exemplo, daquela terapeuta especializada em traumas, que Joe conhece durante um jantar em família? E por que a tão aguardada e anunciada irmã Madeline tem participação tão apagada quando finalmente aparece?

    Outro grande problema do filme são aquelas “pistas” desgastadas e previsíveis que são apresentadas ao público. Exemplos: quando Joe ceticamente fala para uma garota suicida que não existe nada além da morte, fica óbvio que até o final do filme ele terá provas do sobrenatural. Quando ele diz a um amigo que a arara de sua falecida esposa costumava saudá-la ao entrar em casa, fica mais que óbvio que a saudação acontecerá mais cedo ou mais tarde. E assim por diante. Será que as platéias ainda caem nestas cansativas armadilhas de roteiro do cinemão de Hollywood?

    O pior, porém, O Mistério da Libélula deixa para o final. Joe salta de um gigantesco precipício, cai numa corredeira e é arrastado por ela, quase morre preso nas ferragens de um ônibus preso no fundo do rio, é salvo por um nativo, sobrevive, sai correndo em direção a uma aldeia indígena... tudo isso sem que sua camisa sequer saia de dentro de suas calças. Haja elegância! E tudo sem perder nem estragar uma fotografia que estava em seu bolso. Haja credibilidade!

    O resultado é um filme que aparenta ter muito mais que seus 103 minutos de duração. Uma história que até poderia ter rendido um bom thriller sobrenatural nas mãos de um diretor do calibre de um M. Night Shyamalan, por exemplo, mas que se perdeu em fórmulas simplistas e desgastadas.

    27 de maio de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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