O MUNDO IMAGINÁRIO DO DR. PARNASSUS

O MUNDO IMAGINÁRIO DO DR. PARNASSUS

(The Imaginarium of Doctor Parnassus)

2009 , 122 MIN.

14 anos

Gênero: Fantasia

Estréia: 07/05/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Terry Gilliam

    Equipe técnica

    Roteiro: Charles McKeown, Terry Gilliam

    Produção: Amy Gilliam, Samuel Hadida, William Vince

    Fotografia: Nicola Pecorini

    Trilha Sonora: Jeff Danna, Mychael Danna

    Estúdio: Davis-Films, Grosvenor Park Productions, Infinity Features Entertainment, Parnassus Productions, Poo Poo Pictures

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Andrew Garfield, Christopher Plummer, Colin Farrell, Gwendoline Christie, Heath Ledger, Johnny Depp, Jude Law, Lily Cole, Tom Waits, Verne Troyer

  • Crítica

    04/05/2010 08h07

    O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus está fadado a ser lembrado como o último filme de Heath Ledger, que morreu durante as filmagens do longa, em janeiro de 2008. Mas, para quem assiste, o filme supera esse rótulo por conta da notável - e já provada - capacidade do diretor Terry Gilliam em dar forma aos seus mais malucos delírios.

    E, no caso deste seu novo trabalho, nada mais pertinente do que deixar a criatividade fluir solta. O dr. Parnassus do título (vivido por Christopher Plummer) é um homem com mais de três mil anos. Ele lidera um grupo de teatro mambembe que tenta sobreviver numa época quando as pessoas não se interessam mais por histórias. Em meio a uma úmida e atual Londres, a trupe – completada por Valentina (Lily Cole), filha de Parnassus; Percy (Verne Troyer) e Anton (Andrew Garfield) - encena o mundo imaginativo de Parnassus, que realmente existe através do espelho aparentemente cenográfico instalado no centro de seu palco. Sua moldura, no entanto, é passagem para a imaginação não do protagonista, mas do próprio cidadão que ousa ultrapassar a fronteira entre a realidade e a mente, tão cheia de ilusão truques e armadilhas. Mas o grande desafio de Parnassus é ganhar uma aposta feita há muito, muito tempo com Nick (o cantor Tom Waits), também conhecido como o Diabo.

    A realidade em O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus é sempre suja, úmida, escura. A direção de arte do longa reserva ao grupo de Parnassus os ambientes e figurinos mais criativos, brilhantes, em muitos momentos coloridos, enquanto as ruas de Londres são dominadas pela escuridão de um mundo que não quer mais saber das histórias do protagonista. Mas, quando os personagens ultrapassam o espelho de Parnassus – como a Alice de Lewis Carrol, que também atinge um mundo imaginário ao passar pelo objeto em Alice Através do Espelho -, o filme ganha cores e formas inusitadas, que lembram muito as animações non sense de Gilliam na série Flying Circus, produzida pelo lendário grupo humorístico inglês Monty Phyton, do qual fez parte. Criaturas sem corpos, somente com pés; cabeças gigantes das quais saem seres humanos; números musicais incomuns: são elementos que fazem parte da imaginação de Gilliam.

    Vale lembrar a boa solução pensada pelo roteiro, escrito por Gilliam e Charles McKeown, depois da morte de Ledger, que não havia concluído sua participação como o personagem Tony, que se junta à trupe de Parnassus. Sem o ator, os atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell substituem Ledger de uma forma plausível, condizente com a história do filme.

    Muitos devem ser atraídos a O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus pelo fato de ter Heath Ledger no elenco, mas este não deve ser o único motivo a levar o espectador à projeção, pelo contrário. Não é um filme fácil. Esteticamente desafiador, tem um roteiro complexo, permeado principalmente pelo surreal, que não agrada a todos os públicos, mas principalmente aos que apreciam as loucuras características do cinema de Gilliam. De qualquer forma, jamais deve ser restrito somente ao rótulo de “o último filme de Heath Ledger”; é uma obra resultante do interessantíssimo mundo imaginário de Terry Gilliam.

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