O PACTO DOS LOBOS

O PACTO DOS LOBOS

(Le Pact des Loups)

2001 , 142 MIN.

16 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Christophe Gans

    Equipe técnica

    Roteiro: Christophe Gans

    Produção: Richard Grandpierre, Samuel Hadida

    Fotografia: Dan Laustsen

    Trilha Sonora: Joseph LoDuca

    Estúdio: Universal Focus

    Elenco

    Bernard Farcy, Edith Scob, Émilie Dequenne, Jacques Perrin, Jean Yanne, Jean-François Stévenin, Jérémie Renier, Johan Leysen, Mark Dacascos, Monica Bellucci, Samuel Le Bihan, Vincent Cassel

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    De uma forma geral, os filmes são “engessados” em gêneros ou subgêneros pré-definidos. As platéias sabem o que esperar de uma “comédia romântica”, de um “terror adolescente” ou de um “thriller psicológico”, por exemplo. São rótulos que a crítica, o público e o tempo se encarregam de difundir e sedimentar. Por isso, o roteirista e diretor francês Christophe Gans mexeu com a cabeça de meio mundo ao realizar um filme impossível de ser rotulado: O Pacto dos Lobos. Nele, quase todos os gêneros do cinema coexistem: drama histórico, terror, romance, policial, thriller erótico, artes marciais... há um pouco de tudo. O visual barroco e rebuscado e a ambientação do século 18 contrastam com a montagem moderna e o ritmo ágil da narrativa. Há momentos de puro suspense e terror. Há outros que cairiam melhor numa propaganda de perfume de segunda linha.

    O Pacto dos Lobos é uma colcha de retalhos. Um caldeirão de referências que exige do público mente aberta e uma boa dose de paciência. Mente aberta porque nem todos têm paladar para tamanha mistura de sabores. Muitos ainda preferem a segurança dos rótulos. E dose da paciência porque as reviravoltas da trama e a profusão de personagens (nem todos com função claramente definida) exigem muita atenção durante todos os 142 minutos de projeção.

    Tudo começa em 1764, no interior da França. A região rural de Gévaudan está aterrorizada por uma suposta fera que vem misteriosamente dilacerando alguns de seus habitantes. Relatos apavorados falam de um monstro de força descomunal, grande como um lobo, ou talvez até como um urso. As informações são desencontradas, fatos e boatos se misturam.

    A corte envia para o lugar o naturalista e biólogo Gregoire de Fronsac (Samuel Le Biham, de Instituto de Beleza Vênus), com a missão de solucionar o mistério e apaziguar os ânimos. Ao lado de seu fiel companheiro, o índio canadense Mani (o havaiano Mark Dacascos, especialista em filmes de artes marciais), Gregoire tem de cumprir sua função real, mas a sociedade rural é repleta de distrações e tentações. Entre elas, a bela prostituta Sylvia (Mônica Belucci, de Malena) e a inexpugnável Marianne (a belga Emilie Dequenne, do premiado Rosetta).

    O Pacto dos Lobos tem um ponto de partida baseado em fato real: existem efetivamente registros de um animal que teria feito mais de cem vítimas, entre 1764 e 1767, nas regiões de Auvergne e Dorgogne. Quando o terror se intensificou, as autoridades locais pediram ajuda à Corte e o rei Luís XV se interessou pessoalmente pelo caso, enviando homens de seu exército e oferecendo recompensas para quem o capturasse. Em pelo menos quatro ocasiões, diferentes animais, como grandes lobos e hienas foram mortos, mas os ataques recomeçavam em seguida. Em junho de 1767, a besta fez sua última vítima. O fim do terror coincidiu com a morte de uma grande criatura aparentando ser um lobo, mas até hoje o caso não foi esclarecido de maneira satisfatória.

    O Pacto dos Lobos levou mais de cinco milhões de franceses às bilheterias de seu país. Foi indicado para quatro César e para oito Saturnos, o prêmio da Academia de Filmes de Ficção Científica, Fantasia e Horror dos Estados Unidos. Esqueça os rótulos e confira.

    10 de junho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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