O Palácio Francês

O PALÁCIO FRANCÊS

(Quai d'orsay)

2013 , 113 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 17/04/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bertrand Tavernier

    Equipe técnica

    Roteiro: Abel Lanzac, Christophe Blain

    Produção: Frederic Bourboulon, Jérôme Seydoux

    Fotografia: Jérôme Alméras

    Trilha Sonora: Philippe Sarde

    Estúdio: France 2 Cinéma, Little Bear, Pathé

    Montador: Guy Lecorne

    Elenco

    Alix Poisson, Anaïs Demoustier, Benoît Carré, Bruno Raffaelli, Christina Crevillén, Didier Bezace, Francois Perrot, Jane Birkin, Jean-Marc Roulot, Jean-Paul Farré, Joséphine de La Baume, Julie Gayet, Karim Dieye, Loïc Risser, Marie Bunel, Michel B. Dupérial, Muhammad Hirzalla, Niels Arestrup, Raphaël Personnaz, Renaud Calvet, Sébastien Pouderoux, Sonia Rolland, Sylvain Saulet, Thierry Frémont, Thierry Lhermitte, Thomas Chabrol, Thomas Croisière

  • Crítica

    14/04/2014 19h32

    O Palácio Francês evidencia algo que já nos é muito familiar: o vazio do discurso político. As palavras servem como adorno para a ineficiência burocrática, quando não utilizadas com intenção de corromper o próximo, seja por meio da gentileza ou da ameaça.

    Com humor inteligente e vários trocadilhos, o novo longa de Bertrand Tavernier se sai bem na maior parte do tempo. Entretanto, perde pontos ao insistir em determinadas situações para se fazer engraçado - algo que nem sempre consegue.

    A trama mostra o dia a dia no Quai d'Orsay, sede do ministério das Relações Exteriores da França, e do excêntrico Alexandre Taillard de Worms. Baseada na graphic novel que leva o mesmo nome do Palácio, se refere quase abertamente à figura de Dominique de Villepin, ministro do exterior durante o governo de Jacques Chirac e, posteriormente, primeiro-ministro francês. Antonin Baudry, autor da HQ, foi diplomata durante 2002 e 2003 e transformou sua experiência em história.

    Rodado dentro do próprio Quai d'Orsay graças à autorização do atual chanceler francês (o pedido foi negado durante o governo Sarkozy), O Palácio Francês traz uma grande atuação de Thierry Lhermitte na pele de um personagem confuso, efusivo e fã de Heráclito. O ministro Taillard carrega um livro do autor embaixo do braço e usa suas citações em tudo. Para dar substância a seus discursos, contrata Arthur Vlaminck (Raphaël Personnaz, de Três Mundos) para cuidar da "linguagem".

    Por meio do protagonista somos apresentados aos absurdos da vida política. Na verdade, quem toma as decisões é Claude (Niels Arestrup), o qual tenta resolver os problemas e fazer com que o ministro não cause outros piores. A tamanha burocracia impede qualquer movimento límpido. 

    Ao usar trocadilhos com Otan na língua francesa, chamar uma escritora para debater sobre arte e poetas para ajudarem o jovem Arthur nos discursos, grifar todos os textos com canetas marca-texto, ler apenas a primeira página para aprovar qualquer coisa, Taillard se torna uma paródia sobre a mise en scène do poder.

    Em determinada fala, Arthur se refere ao ministro como uma espécie de anti-ator: a dissimulação de caráter seria planejada ou simplesmente uma falta de habilidade  em comparação com o nível de outros "atores"? Seguindo essa linha, cria-se um manual para lidar com diversos conflitos, denominado antimanual.

    Mesmo com essas questões intrigantes pontuadas, o filme se alonga muito nas cenas de portas batendo e papeis voando. No início, elas fazem sentido; depois, parecem falta de criatividade para expor o argumento. As passagens na casa de Arthur e sua namorada também ficam perdidas no contexto do palácio, assim como outros personagens pouco desenvolvidos na trama.

    Apesar de fazer alusão à realidade, inclusive com uma ameaça de ataque a um país fictício (na época, os EUA se preparavam para invadir o Iraque), O Palácio Francês escapa aos limites de um só período. Trata sobre o uso da linguagem na política - seja ela de direita, esquerda ou em cima do muro. Porém, ao fazer esse retrato específico, deixa sim seu julgamento. De forma bem-humorada para amenizar o tema.

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