O PLANO PERFEITO

O PLANO PERFEITO

(Inside Man)

2006 , 130 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Spike Lee

    Equipe técnica

    Roteiro: Russell Gewirtz

    Produção: Brian Grazer

    Fotografia: Matthew Libatique

    Trilha Sonora: Terence Blanchard

    Estúdio: Imagine Entertainment, Universal Pictures

    Elenco

    Chiwetel Ejiofor, Christopher Plummer, Clive Owen, Denzel Washington, Jodie Foster, Ken Leung, Willem Dafoe

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    De uma vez só, duas boas notícias. Sim, ainda é possível se fazer um belo e intrigante roteiro para um filme de assalto. E, sim, Spike Lee está se tornando um cineasta cada vez melhor, a exemplo de Almodóvar e Woody Allen. Tudo isso pode ser confirmado no magnético O Plano Perfeito, que o experiente Lee dirigiu a partir do roteiro do estreante Russell Gewirtz. Esta é a primeira vez que o diretor é produzido por Brian Grazer, o mesmo produtor de Apollo 13, Plano de Vôo e vários outros. No filme, o entrosamento da trinca também é perfeito.

    Logo nas primeiras cenas, Spike Lee oferece à platéia ótimas cenas de sua musa preferida: Nova York. São cortes rápidos e belos planos que ressaltam o centro financeiro da cidade. O próprio protagonista da história, o criminoso Dalton (Clive Owen, de Fora de Rumo), avisa o público que veremos um filme de assalto a banco. E não demora quase nada para que a ação propriamente dita seja iniciada. A primeira sensação é de estranheza: o que o sempre político Spike Lee estaria fazendo no comando de um simples filme de polícia e bandido? Logo vem a resposta: O Plano Perfeito está longe, muito longe de ser um simples filme de polícia e bandido. O assalto é apenas o pretexto que vai colocar frente a frente alguns personagens dos mais interessantes.

    Metido no mais ridículo figurino de sua carreira, e ostentando um bigodinho a la amigo-da-onça, Denzel Washington vive Keith, o policial designado a fazer o complicado trabalho de negociação junto a Dalton, o cabeça do assalto. Dalton é um criminoso pensante, refinado e com senso de humor; acima da média. Christopher Plummer é Crane, o dono do banco, homem poderoso que, como todos os poderosos, tem um terrível segredo a esconder. Fechando o quadrilátero principal, Jodie Foster é a srta. White, influente lobista que pode usar toda esta situação de crise para ficar ainda mais rica. Junte-se a isso um punhado de algumas dezenas de reféns apavorados, aprisionados dentro de um banco multiétnico que é o próprio microcosmos de Nova York. Está armado o circo para um dos melhores filmes do ano, até aqui.

    Mais até do que a própria situação de assalto/reféns, O Plano Perfeito delicia o público com seu sarcasmo. Não faltam situações de humor agridoce, montadas especialmente para satirizar o racismo. Claro, é um filme de Spike Lee. Um garoto negro distrai-se com um videogame ultraviolento, no qual marca mais pontos quem matar mais negros e traficar mais drogas. Um indiano se enfurece ao ser - mais uma vez - confundido com um árabe, mas se acalma ao ser lembrado de que, pelo menos, ele consegue tomar um táxi em Nova York com mais facilidade que os outros. Um policial fica surpreso ao saber que "armênio" e "albanês" não é a mesma coisa. É um filme sobre prejulgamentos. Assim como árabes, negros, "chicanos" e habitantes da Europa Oriental, reféns e assaltantes também são todos culpados, até que se prove o contrário.

    Os diálogos são deliciosos, alguns deles intraduzíveis. Como na cena em que o policial Keith convida o criminoso Dalton para tomar uma cerveja no bar em frente ao banco e ele recusa, dizendo que está tentado ficar longe de "bars". A palavra é a mesma para "bares" e "barras" de uma prisão. Ou, num momento bem menos sutil, quando Keith diz à personagem de Jodie Foster "Kiss my black ass, miss White!".

    São duas horas e dez minutos que passam voando. Com inteligência, ritmo, sátira, crítica, humor, tensão e ótimas interpretações. Para os fãs de Spike Lee, mais uma prova de amadurecimento do cineasta. Para quem prefere ver no filme apenas uma boa história de mocinhos e bandidos, também uma ótima opção.

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