O PRÍNCIPE

O PRÍNCIPE

(O Príncipe)

2002 ,

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ugo Giorgetti

    Equipe técnica

    Roteiro: Ugo Giorgetti

    Produção: Eliane Bandeira

    Fotografia: Pedro Paulo Lazzarini

    Trilha Sonora: Mauro Giorgetti

    Elenco

    Bruna Lombardi, Eduardo Tornaghi, Elias Andreato, Ewerton de Castro, Marcia Bernardes, Nydia Lícia, Otávio Augusto, Ricardo Blat

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Durante a festa de lançamento do filme Boleiros, há quatro anos, perguntei ao diretor Ugo Giogetti qual seria seu próximo trabalho. E ele me disse, na época, que pensava em mostrar a decadência da cidade que ele mais ama no mundo: São Paulo. Esboçou em linhas gerais que a idéia era filmar a história de uma pessoa que regressaria à capital paulista depois de muitos anos ausente e se espantaria com os rumos que a metrópole havia tomado. Agora, quatro anos depois, a idéia de Giogetti finalmente se concretiza e estréia nos cinemas: O Príncipe.

    Durante todo o tempo que o projeto consumiu, seguramente o cineasta teve várias dúvidas e as incertezas típicas que rondam qualquer um que se disponha a fazer cinema no Brasil. Uma certeza, porém, permaneceu de pé: a de que a decadência da cidade permaneceria ali, firme e forte, pronta para ser registrada pelas câmeras do cineasta, por mais que ele demorasse a fazer seu filme. Essa triste realidade de uma metrópole que agoniza está agora, para sempre, registrada no filme de Giorgetti.

    A trama gira em torno de Gustavo (Eduardo Tornaghi), sujeito que viveu os últimos 20 anos na Europa e regressa agora ao lugar onde passou a juventude. De volta a São Paulo, ele sente ter caído num outro mundo. Nada era o que costumava ser: amigos, lugares, personalidades, climas. Num primeiro momento, nem a própria mãe (Nydia Licia) o reconhece. Misturando a parábola da volta do filho pródigo com a clássica história da descida de Orfeu aos infernos, Giogetti traça um painel tristemente real da cidade de São Paulo em particular e do país em geral: decadência. Total e absoluta.

    Depois de destilar altas doses de um inteligente humor agridoce em Boleiros, o cineasta agora parece mais abatido. E é difícil mesmo não estar. Principalmente para quem mora, vive, trabalha e ama São Paulo.

    07 de agosto de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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