O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO (AUTO-RETRATOS)

O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO (AUTO-RETRATOS)

(O Prisioneiro da Grade de Ferro (auto-retratos))

2003 , 123 MIN.

18 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Sacramento

    Equipe técnica

    Roteiro: Paulo Sacramento

    Produção: Gustavo Steinberg

    Fotografia: Aloysio Raulino

    Estúdio: Olhos de Cão Produções Cinematográficas

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Existem vários significados atribuídos à palavra Carandiru, de origem tupi-guarani. Combinação de Carandá + Iru, alguns pesquisadores defendem a tese de que ela poderia significar "abelha da carnaúba". Outros dizem que seria um recipiente feito de carandá (carnaúba). Há quem diga que através dos anos seu significado passou a ser "onde os ratos são dilacerados" ou, então, "prisão indígena similar à senzala dos negros". Em 1967, a pesquisadora Maria da Penha investigou a história do bairro de Santana e constatou que, no local onde situa-se o Carandiru, existiu uma fazenda com resíduos preservados de uma senzala. Enfim, seja qual for a etmologia da palavra, o cinema já se incumbiu de modificá-la, vendendo para o mundo inteiro Carandiru como sinônimo de inferno.

    Depois do badalado filme de Hector Babenco, chega agora aos nossos cinemas o documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro, estréia de Paulo Sacramento (o produtor de Amarelo Manga) na direção de longas-metragens. Gravado em vídeo digital durante sete meses no presídio do Carandiru, o filme foi o vencedor da edição 2003 do "É Tudo Verdade - 8º Festival Internacional de Documentários". A proposta é das mais interessantes: em vez de mostrar o Carandiru pelas lentes cansadas das coberturas jornalísticas diárias ou pelo enfoque viciado de uma grande produção cinematográfica, ou até sob o prisma panfletário de um documentário discursivo, o diretor Sacramento teve a idéia de disponibilizar câmeras de vídeo para os próprios prisioneiros. Assim, um ano antes da desativação da Casa de Detenção do Carandiru, os detentos aprendem a utilizar as pequenas câmeras e eles mesmos passam a documentar o cotidiano do maior presídio da América Latina. O resultado, como não poderia deixar de ser, é um documento cru, muitas vezes cruel, do ambiente sub-humano da cadeia. Imagens brutas, lapidadas apenas pela sinceridade de quem as captou.

    Talvez o filme peque apenas pela sua longa duração - 123 minutos - que provavelmente renderia um ritmo melhor caso passasse por um processo rápido de "enxugamento". Nada, porém, que tire os méritos deste registro de fôlego que tem, desde já, importância histórica definitiva para a própria compreensão do Brasil.

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