O PROFETA

O PROFETA

(Un Prophète)

2009 , 155 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 18/06/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jacques Audiard

    Equipe técnica

    Roteiro: Jacques Audiard, Thomas Bidegain

    Produção: Lauranne Bourrachot, Marco Cherqui, Martine Cassinelli

    Fotografia: Stéphane Fontaine

    Trilha Sonora: Alexandre Desplat

    Estúdio: Why Not Productions

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Adel Bencherif, Hichem Yacoubi, Jean-Philippe Ricci, Niels Arestrup, Reda Kateb, Tahar Rahim

  • Crítica

    15/06/2010 18h58

    O Profeta é um filme diferente na cinematografia francesa. É um drama, mas também um suspense. Um filme de prisão, ao mesmo tempo social e sarcástico, com traços das histórias de mafiosos de Scorsese.

    O fato é: em vez de dar um soco no estômago e buscar a catarse, o filme nos deixa inteiramente desconcertados. Não há herói, ou melhor, há muitos heróis. Apesar de ser uma jornada de transformação do jovem árabe Malik El Djebana em um gângster, não há uma tese. Sai o “Bom-Selvagem” de Jean-Jacques Rousseau e entra um olhar complexo sobre o indivíduo.

    Estamos frente a El Djebana (Tahar Rahim), um jovem de 19 anos que acaba de chegar à prisão. Por que? O crime? Quem são seus pais? Tem família? Foi proposital? Informações que nos são sonegadas durante todo o filme. Ele é um garoto sem identidade, um cutucão como o oficialismo francês vê os imigrantes e os descendentes: são apenas árabes, e pronto, a informação já é o bastante.

    Mas O Profeta nega-se a tomar o caminho oposto. Definitivamente a pena não é algo que vai pautar a nossa relação com El Djebana. Ele não é um herói do cinema clássico, para o qual temos de torcer. Há uma saudável distância entre nós, os espectadores, e ele. O coração bate forte, os perigos se sucedem, o risco aumenta.

    O garoto está sob constante pressão. Mesmo assim, está sempre em movimento. Essa é uma das mais encantadoras contradições de O Profeta. El Djebana está confinado, mas guarda em si um imenso espírito de liberdade. Enquanto os outros presos/personagens estão destinados a certos papeis, ele é um corpo fluído e de espantosa consciência com o que está ao seu redor.

    O desconcerto é fruto de várias opções. A fotografia, que decide apresentar um filme com tons e filtros que nos jogam nos anos 70, é um ponto de interrogação. A mistura de gêneros dentro do mesmo filme é outro. Um roteiro que joga o protagonista em diversas turmas é mais um ponto de interrogação.

    Aliás, o crédito à maravilhosa ambientação gângster dentro da cadeia se deve Abdel Raouf Dafri, que já havia mostrado seu talento para o suspense com Inimigo Público nº1 – Instinto de Morte. Em O Profeta, ele é autor do texto original, que ainda seria polido pelo diretor Jacques Audiard e por Thomas Bidegain.

    Audiard não hesita na direção. Abandona os planos e contraplanos para nos deixar como espectadores de uma transformação (ou afloramento?) de um bandidão de primeira. Até lá, surge uma série de dúvidas sobre o que é a França.

    Audiard consegue o mesmo primor que Laurent Cantet alcançara com Entre os Muros da Escola. Trazer um pedaço da França para um espaço fechado no qual a tônica é o conflito. Audiard é pessimista a ponto de afirmar que tudo não passa de troca de gangue, seja árabe ou corsa? Ou é um sinal de que os oprimidos da vez que estão na disputa política são os árabes? Tendo a achar que é o segundo por causa de um sério diálogo entre o advogado e o líder corsa, César Luciani (Niels Arestrup).

    Mas não dá para afirmar com muita certeza, pois, apesar de, narrativamente, ser simples, O Profeta pede ser assistido mais de uma vez. Quem é Malik El Djebana? Corrompido? Sobrevivente? Vítima? O filme aponta para todos os caminhos, mas não decreta.

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