O QUARTO DO PÂNICO

O QUARTO DO PÂNICO

(The Panic Room)

2002 , 113 MIN.

14 anos

Gênero: Suspense

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Fincher

    Equipe técnica

    Roteiro: David Koepp

    Produção: Ceán Chaffin, David Koepp, Gavin Polone, Judy Hofflund

    Fotografia: Conrad W. Hall, Darius Khondji

    Trilha Sonora: Howard Shore

    Estúdio: Columbia Pictures Corporation, Hofflund/Polone, Indelible Pictures

    Elenco

    Andrew Kevin Walker, Ann Magnuson, Dwight Yoakam, Forest Whitaker, Ian Buchanan, Jared Leto, Jodie Foster, Ken Turner, Kristen Stewart, Mel Rodriguez, Patrick Bauchau, Paul Schulze, Paul Simon, Richard Conant, Victor Thrash

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Criminosos fazendo reféns inocentes dentro de suas próprias casas não é exatamente um tema novo no cinema. Horas de Desespero (o original com Humphrey Bogart ou a refilmagem com Anthony Hopkins) ou mesmo Fiel Mas Nem Tanto (com Cher e Chazz Palminteri) já trataram do tema com maior ou menor qualidade. Porém, nesta era de extrema violência urbana que o mundo vive, o assunto parece voltar com muito mais intensidade. Intensidade, por sinal, é o que não falta ao filme O Quarto do Pânico, mistura de drama e suspense escrita por David Koepp (roteirista de Homem-Aranha) e dirigida por David Fincher, o mesmo de O Clube da Luta.

    Tudo começa quando Meg (Jodie Foster), uma mulher recentemente divorciada, muda-se com suas dores, seus ressentimentos e sua filha adolescente Sarah (Kristen Stewart) para uma imponente mansão num bairro nobre de Nova York. Fazer o ex-marido pagar pelo casarão é um dos fatores que motivam e apressam a mudança. Outro motivador é o chamado “quarto do pânico”, uma suíte blindada, anexa ao quarto principal, que servia como um tipo de bunker para o morador anterior, um milionário excêntrico. Sarah imediatamente se apaixona pelo quarto e faz sua mãe decidir pela compra da mansão.

    Logo na primeira noite que Meg e Sarah passam na nova casa, ela é invadida por três assaltantes. Imediatamente, as duas se trancam no bunker, imaginando estarem seguras. Porém, é exatamente no pequeno quarto que está o suposto tesouro que os criminosos procuram. Inocentes trancados por dentro. Marginais à solta tentando entrar. Entre eles, monitores de TV e linhas telefônicas nem sempre em funcionamento. Está montado o cenário ideal para um emocionante jogo de esconde-esconde urbano.

    Sempre um estilista, o diretor Fincher esbanja talento ao transformar a casa onde tudo acontece num verdadeiro personagem da trama. Graças aos efeitos especiais, sua câmera passeia com total desenvoltura por entre paredes e dutos, buracos de fechaduras e janelas, colocando o espectador numa posição mais do que privilegiada: a de saber de tudo e de todos, mesmo quando os próprios personagens estão perdidos. Esta seria a verdadeira receita de suspense, de acordo com Hitchcock: quem está na platéia sabe de tudo, quem está na tela não sabe. O clima de tensão é incessante. A fotografia escura torna tudo mais sombrio e a carga dramática permeia o roteiro praticamente durante todo o tempo da projeção.

    Um filme com tanta carga emocional, com luz e cortes perfeitos, nem precisaria contar com atores tão bons. Mas conta. Jodie Foster mantém seu estilo visceral de interpretação, sempre forte e convincente. A novata Kristen Stewart a acompanha com talento e não deixa a peteca cair. E o carismático Forest Whitaker é perfeito no papel do ladrão de bom coração.

    Com tantas qualidades, não é de se estranhar que O Quarto do Pânico tenha quase alcançado invejáveis US$ 100 milhões nas bilheterias norte-americanas, mais que o dobro de seu custo. Por muito pouco, o filme não se transforma no terceiro sucesso seguido estrelado por Nicole Kidman, depois de Moulin Rouge e Os Outros. Explica-se: a atriz teve de recusar o papel de Meg, por causa de uma contusão no joelho sofrida durante as filmagens de Moulin Rouge. Como “prêmio de consolação”, ela faz a voz da namorada do marido de Meg ao telefone. Mesmo grávida de dois meses, Jodie Foster acabou ficando com o papel principal e teve apenas nove dias para preparar seu personagem. Para finalizar o filme, algumas cenas foram feitas após o ela ter dado à luz. Todo o esforço valeu a pena: O Quarto do Pânico é um dos melhores filmes de suspense das últimas temporadas.

    3 de junho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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