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O RAP DO PEQUENO PRÍNCIPE CONTRA AS ALMAS SEBOSAS

(O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas)

2000 , 90 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcelo Luna, Paulo Caldas

    Equipe técnica

    Roteiro: Fred Jordão, Marcelo Luna, Paulo Caldas

    Produção: Clélia Bessa, Danniella Hoover, João Júnior, Luís Vidal

    Fotografia: André Horta

    Trilha Sonora: Alexandre Garnize, DJ Dolores, Edi Rock, Ice Blue, Mano Brown

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Muita gente ainda tem sérios preconceitos contra documentários. Principalmente na tela grande do cinema. Quem ainda acredita que o filme documental é algo aborrecido e didático, que só deve ser exibido em canais a cabo, vai perder, por exemplo, o ótimo O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas. Produzido em Pernambuco, o filme fez um bom sucesso no circuito dos festivais brasileiros por onde passou, sendo bem recebido até está pela sisuda platéia do Festival de Veneza, no último mês de setembro.

    Os diretores Marcelo Luna e Paulo Caldas (este co-diretor também de O Baile Perfumado) traçam um contundente painel sobre a situação calamitosa da periferia do Recife. Não há narração. Tudo é contado através de depoimentos, imagens e reconstituições dramáticas. Todos os lados são ouvidos: do delegado ao criminoso, do ex-menino de rua à mãe do prisioneiro. Até um grupo de extermínio - devidamente encapuzado - tem seu espaço. O dia-a-dia da periferia é retratado através da música, das rádios comunitárias, da simples alegria de ir a um estádio de futebol e - claro - da extrema violência. Tudo se passa na capital pernambucana, mas retrata uma realidade que pode ser transposta para qualquer grande cidade brasileira: uma situação de pobreza crônica onde a vida vale quase nada.

    Com câmera na mão, linguagem ágil e montagem dinâmica, O Rap do Pequeno Príncipe... não se preocupa em passar lição de moral. Ele apenas mostra. E como mostra! Um travelling de helicóptero sobre Recife revela a absurda extensão geográfica que as favelas da região já alcançaram. Uma imagem impressionante! Ao final dos 75 minutos de projeção, o espectador tem a sensação de ter levado um soco no estômago. E sai do cinema com a triste certeza de que nada vai mudar tão cedo.

    Sem dúvida, não se trata de um programa "light" para o final de semana. Mas é um registro que precisa ser visto por todos aqueles que tenham algum interesse social e político a respeito do nosso próprio país.


    16 de novembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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