Pôster de O Renascimento do Parto

O RENASCIMENTO DO PARTO

(O Renascimento do Parto)

2013 , 90 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 09/08/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Eduardo Chauvet

    Equipe técnica

    Roteiro: Érica de Paula

    Produção: Érica de Paula

    Fotografia: Rafael Morbeck

    Trilha Sonora: Charles Torres, Marcello Dalla

    Estúdio: Chauvet Filmes, HTRON, Master Brasil Filmes

    Montador: Eduardo Chauvet

    Distribuidora: Espaço Filmes

  • Crítica

    03/08/2013 18h39

    Fazer documentário não é fazer jornalismo, apesar do produto documental se assemelhar à matéria jornalística audiovisual. O documentarista não precisa buscar a isenção e pode tomar partido abertamente caso deseje. É o que faz o diretor Eduardo Chauvet e a roteirista Érica de Paula em O Renascimento do Parto, filme que denuncia o aumento do número de cesarianas no país e defende o chamado parto humanitário.

    Não é na causa que abraça (justíssima, diga-se), mas em como abraça que a produção perde sua força. E notamos isso logo nos primeiros minutos de projeção, quando somos apresentados a uma mãe chamada Carol, cuja filha veio ao mundo assim como 52% dos brasileiros hoje em dia, por meio de uma cesariana. O filme intercala o depoimento emocionado da mulher – que desejava o parto natural, mas foi convencida do contrário pelo médico – com cenas gravadas do nascimento da menina.

    Sobe então uma trilha sonora triste, dramática, enquanto o bebê chora e passa pelos procedimentos de praxe pós-nascimento. Vemos a recém-nascida sobre a balança de pesagem, depois recebendo o colírio de nitrato de prata nos olhos, enquanto à trilha junta-se a voz chorosa da mãe dizendo coisas como "Por que você me deixou sozinha, mamãe?" Eu estava em sua barriga e agora estou sem você". Quando a mãe volta à cena, lágrimas escorrem de seus olhos. Apelativo e pouco honesto narrativamente, mas funcional para fisgar o espectador logo de cara.

    Daí em diante o filme parece entrar nos eixos. Segue-se um apanhado histórico de todo o processo que levou o parto - algo natural e que pertencia apenas ao universo feminino - a virar um procedimento cirúrgico. Depoentes com muito a dizer (médicos obstetras, pediatras, parteiras, doulas, enfermeiras) revezam-se dando um panorama de como a mulher foi aos poucos perdendo o poder sobre o nascimento; os mecanismos de mercado que levam médicos a esquecer seus princípios e promover verdadeiro terrorismo na cabeça das grávidas, incitando o medo para convencê-las da necessidade da cesariana.

    Entre os depoimentos interessantes, está o da mulher do ator e aspirante à cineasta Márcio Garcia, que passou por experiências diversas: teve um filho por cesariana, outro de parto normal em hospital e o terceiro em casa. Ela conta em detalhes suas experiências e como cada uma delas a marcou nesse momento tão delicado e importante da vida de toda mulher. Márcio Garcia também fala, como pai, mas nada acrescenta - está no filme só para cumprir a cota de famosos.

    O Renascimento do Parto, no entanto, volta a se perder mais adiante quando sai do terreno da ciência e passa para o da especulação, chegando até a sugerir que problemas de nossos tempos, como incapacidade de amar, anorexia e criminalidade, possam ter origem no procedimento cirúrgico da cesariana, o que não precisa ser especialista para perceber ser uma grande bobagem.  

    A trilha sonora mal aplicada, excessivamente onipresente, começa a irritar em certo momento ao tentar conduzir e não simplesmente reforçar os sentimentos do espectador. Oscila bruscamente de temas dramáticos, de suspense, para uma sonoridade festiva de comercial de margarina quando sai do ambiente médico e entra no das parteiras e doulas. A coisa é tão exagerada que em alguns momentos o filme parece mais um vídeo institucional.

    O Renascimento do Parto trata de tema interessante e urgente, mas tem execução primária e não acrescenta muito. Qualquer documentário do Discovery Home and Health se sai melhor.

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