O RETRATO DE DORIAN GRAY (2009)

O RETRATO DE DORIAN GRAY (2009)

(Dorian Gray)

2009 , 112 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 25/03/2011

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Oliver Park

    Equipe técnica

    Roteiro: Toby Finlay

    Produção: Barnaby Thompson

    Fotografia: Roger Pratt

    Trilha Sonora: Charlie Mole

    Estúdio: Alliance Films, Aramid Entertainment Fund, Ealing Studios, Fragile Films, Prescience, UK Film Council

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Aewia Huillet, Andrew Harrison, Ben Barnes, Ben Chaplin, Caroline Goodall, Cato Sandford, Colin Firth, David Sterne, Douglas Henshall, Emilia Fox, Emily Phillips, Fiona Shaw, George Potts, Grant Cook, Guillaume Grange, Hugh Ross, Jeff Lipman, Jo Woodcock, John Hollingworth, Johnny Harris, Julian Birch, Kit Derbyshire, Lily Garrett, Lisa Marie Cooke, Louise Kempton, Louise Rose, Maryam d'Abo, Max Irons, Michael Culkin, Nathan Rosen, Pip Torrens, Rachel Hurd-Wood, Rebecca Hall, Robert Johnston, Seon Rogers, Tina Rath

  • Crítica

    09/03/2011 14h14

    Vem polêmica por aí. Afinal, o romance O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, que vem conquistando corações e mentes desde 1890, ano de sua primeira publicação, já rendeu mais de uma dezena de adaptações para o cinema e para a TV. E esta nova versão tem tudo para ser uma das mais combatidas. Motivo: o filme dirigido por Oliver Parker (o mesmo de O Marido Ideal) não se importa muito em ser fiel ao original, e adapta livremente o antigo texto para as novas plateias ávidas por boas doses de terror e suspense.

    Nesta produção inglesa de 2009 que chega agora aos cinemas do Brasil, o personagem título (vivido por Ben Barnes, o Príncipe Caspian da saga As Crônicas de Nárnia) é um belo, ingênuo e simplório rapaz que vem do interior da Inglaterra para assumir seu posto de herdeiro solitário numa riquíssima mansão londrina. Ao chegar à capital, Dorian logo percebe que, junto com a mansão e a herança, vem também um apêndice atrativo, mas nem sempre fácil de lidar: a alta sociedade local.

    Com todas as suas pompas, circunstâncias, melindres, convenções, ironias e jogos de aparência que o ferino Oscar Wilde adorava ridicularizar. Dorian se vê então dividido – e atraído – por dois interessantes representantes desta sociedade: o artista plástico Basil (Ben Chaplin, sem parentesco com Charles) e o cínico Lord Wotton (Colin Firth, de O Discurso do Rei). Enquanto Basil se encanta com a beleza de Dorian e se propõe a pintar o famoso retrato que desencadeará toda a história, Wotton preocupa-se somente em destilar sobre o rapaz toda a sua acidez crítica e sarcástica contra o mundo.

    A partir deste triângulo, o roteirista estreante Tob Finley desenvolve praticamente um novo Dorian Gray que, certamente em busca de um público jovem, dialoga mais de perto com filmes de vampiros que propriamente com a sutileza da obra de Wilde. Com direito a sons fantasmagóricos, efeitos especiais e até uma transformação monstruosa que nada fica a dever ao gênero horror. Isso sem falar numa refinadíssima direção de arte iluminada pela requintada fotografia de Roger Pratt, fotógrafo de dois episódios de Harry Potter e do irretocável Chocolate.

    Novos personagens – inexistentes no livro – são criados para dar maior dramaticidade ao filme. Entre eles, a bela e prematura esposa de Dorian e a enigmática filha de Lord Wotton, Emily (Rebecca Hall, de Vicky Cristina Barcelona, ótima).

    Os mais puristas vão pular da cadeira. Não de susto, mas de ódio. Mas a boa notícia é que boa parte da ironia de Wilde permanece no filme, garantido deliciosos momentos de pura sagacidade verbal. Como, por exemplo, “Não se deve dar a uma mulher nada que ela não possa usar à noite”. Ou “Os homens querem ser felizes, mas a sociedade exige que eles sejam bons”, “Nenhum homem civilizado se arrepende do prazer” e “As pessoas morrem a toda hora por causa do bom senso”. Na boca do sempre ótimo Colin Firth, estas preciosidades tipicamente britânicas ganham tempero especial.

    Assim, o artifício de repaginar O Retrato de Dorian Gray na tentativa de apresentá-lo a um público diferente não deve ser visto necessariamente com maus olhos. Nem com o coração fechado. Se apenas um punhado desta nova plateia se interessar o suficiente pela história a ponto de buscar e descobrir os textos originais, a empreitada já terá valido. Mesmo porque o tema da beleza e da juventude a qualquer custo, e a crítica à ditadura da aparência parecem estar mais em pauta do que nunca, mesmo depois de mais de um século da morte do famoso escritor irlandês.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus