O SEQUESTRO DO METRÔ (1974)

O SEQUESTRO DO METRÔ (1974)

(The Taking of Pelham One Two Three)

1974 , 104 MIN.

Gênero: Policial

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Joseph Sargent

    Equipe técnica

    Roteiro: Peter Stone

    Produção: Edgar J. Scherick, Gabriel Katzka

    Fotografia: Owen Roizman

    Trilha Sonora: David Shire

    Elenco

    Dick O'Neill, Earl Hindman, Hector Elizondo, Jerry Stiller, Lee Wallace, Martin Balsam, Robert Shaw, Walter Matthau

  • Crítica

    31/08/2009 22h22

    O Sequestro do Metrô é um bom exemplo de história com imenso potencial desperdiçado, inicialmente no roteiro e, posteriormente, nas mãos do diretor.

    Veja só se isso não poderia dar um bom filme: em uma tarde qualquer, um grupo de bandidos bem espertos resolvem sequestrar um trem, fazer passageiros reféns e, em troca de suas vidas, pedir US$ 1 milhão e, bingo, descansar para o resto da vida. Há um detalhe: um bom suspense não se faz apenas com um argumento decente, mas essencialmente com bom roteiro.

    As primeiras sequências do filme, apesar de não tentarem esconder em momento algum quem serão os sequestradores, atendem ao esperado: ritmo, boa edição e uma trilha, de David Shire, eficaz para trazer o espectador para perto do filme. Sequestro feito, fato que ocorre já nos primeiros 15 minutos, agora é esperar o dinheiro ser entregue – e para nós que estamos assistindo ao filme, o mistério é saber se o plano vai dar certo ou não.

    Aí o filme de Joseph Sargent desanda. A começar que havia pelo menos uma dezena de personagens – entre bandidos, controladores do tráfego metroviário e passageiros – que poderiam ser desenrolados. Mas o roteiro de Peter Stone centraliza o longa no confronto do líder do bando, Blue (Robert Shaw), e o chefe da central de controle, Zachary Garber (Walter Mathau).

    Até mesmo as tiradas de humor bem ágeis e oportunas do início de O Sequestro do Metrô transformam-se em óbvias. Pelo menos três vezes é possível prever qual piada virá. Os personagens que circundam o episódio não passam de clichês: os policiais bobões que acabaram de entrar para a corporação, o prefeito burro que só ratifica o que os conselheiros lhe indicam, uma bêbada que dorme durante toda a ação do filme, o rebelde entre os bandidos e por aí vai.

    Boa parte da culpa por esses clichês é da direção de Sargent. Todos os atores interpretam em dois registros: ou fazem o tipo frio que observa o outro para dar o próximo passo ou falam alto, são avoados e só sabem receber ou repassar ordens. Nada mais superfície do que isso.

    Para fechar o leque de imprecisões, Sargent ainda mostra uma vontade exacerbada de mostrar que sabe usar a câmera em favor da narrativa. O que isso significa para ele? Em momentos de suposta tensão e suspense, ele faz o tradicional travelling que leva a câmera de encontro a um ator com uma expressão de falsa profundidade e inteligência para analisar a situação ou tomar uma decisão rápida. Óbvio do óbvio.

    Em poucas palavras, O Sequestro do Metrô, que seria refilmado 35 anos depois, é uma boa ideia que poderia ter se transformado em filme.

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