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O SÉTIMO FILHO

(The Seventh Son)

2014 ,

Gênero: Aventura

Estréia: 12/03/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sergey Bodrov

    Equipe técnica

    Roteiro: Charles Leavitt, Matt Greenberg

    Produção: Basil Iwanyk, Lionel Wigram, Thomas Tull

    Fotografia: Newton Thomas Sigel

    Trilha Sonora: A.R. Rahman, Tuomas Kantelinen

    Estúdio: Company 3, Legendary Pictures, Moving Picture Company (MPC), Pendle Mountain Productions, Thunder Road Film, Warner Bros. Pictures

    Montador: Paul Rubell

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Alicia Vikander, Antje Traue, Ben Barnes, Djimon Hounsou, Faustino Di Bauda, Gerard Plunkett, Jason Scott Lee, Jeff Bridges, Julianne Moore, Kit Harington, Lilah Fitzgerald, Loyd Catlett, Luc Roderique, Olivia Williams, Zahf Paroo

  • Crítica

    10/03/2015 15h00

    Por Daniel Reininger

    O Sétimo Filho é o típico filme genérico de fantasia medieval. Com bons efeitos e lutas de espadas bem coreografadas, pode divertir o público disposto a ignorar clichês, roteiro fraco e personagens sem profundidade. Todo o restante deve alternar entre tédio e ódio por essa produção e, com certeza, os fãs do livro no qual o longa se baseia devem ser os mais revoltados.

    A verdade é que O Sétimo Filho usa bem pouco da série literária As Aventuras do Caça-Feitiço, de Joseph Delaney. O filme muda praticamente tudo, menos os nomes dos heróis e vilões. Liberdades criativas em adaptações são totalmente justificáveis, desde que tenham semelhanças com o material original. O que não é o caso aqui.

    E não estou falando apenas da mudança radical de idade do protagonista ou das atitudes inexplicáveis de certos personagens, como a nova personalidade de Gregory (Jeff Bridges), principal culpado pela falta de simpatia do longa. A coisa vai além e cria algo irreconhecível para os fãs do começo ao fim.

    Em um determinado momento, Tom Ward questiona Gregory sobre um tipo de monstro que ele pode ter que enfrentar um dia. Gregory o cala ao dizer, "Você não quer saber." É o tipo de diálogo descartável e constante na trama, que ajuda a apressar as coisas. Isso não só deixa de desenvolver o mundo, como serve para minar os protagonistas. Oras, querer saber mais é exatamente a função do aprendiz e todo e qualquer professor deveria querer passar o máximo de informação adiante, principalmente quando tempo é um problema.

    No filme, Mestre Gregory é um Caça-feitiços, cavaleiro que ganha a vida ao enfrentar criaturas sobrenaturais. Após a morte de seu companheiro, ele recruta às pressas o jovem Tom Ward (sétimo filho do sétimo filho) como seu aprendiz, afinal ele precisa de ajuda para impedir o fim do mundo, que acontecerá em poucos dias, graças ao retorno da bruxa Mãe Malkin (Julianne Moore).

    Embora Tom seja o protagonista dos livros, não justifica a posição no filme, já que o tempo para treinamento é nulo e, embora o longa apresente algumas cenas de aprendizado para explicar como o camponês se torna um guerreiro capaz de enfrentar bruxas e assassinos com habilidade, a coisa toda não cola e o tom de "O Escolhido" atrapalha a dinâmica mestre e aprendiz.

    Essa e outras discrepâncias são consequências da pressa da narrativa em chegar logo ao confronto final. A trama corre demais e faz com que a tela seja inundada de sequências aleatórias de batalha em locais cinematográficos. Por isso, não espanta a falta de coerência. No final das contas, é como se o longa fosse apenas o terceiro ato de uma jornada épica, cujos dois primeiros atos não existem.

    Como consequência, a falta de desenvolvimento faz com que seja impossível sentir qualquer afeição pelos personagens. Nem mesmo a boa tentativa de humanizar os vilões é capaz de melhorar as coisas. Pior, atores ganhadores do Oscar são mal utilizados e interpretam caricaturas de personagens padrões do gênero (bruxa, cavaleiro).

    Jeff Bridges, por exemplo, ainda sofre com uma prótese dentária que o impede de atuar com tranquilidade e faz com que suas falas saiam esquisitas ao ponto do ridículo. Evitar esse constrangimento era o mínimo que o diretor Sergei Bodrov deveria ter feito. Nem isso conseguiu.

    São problemas graves que enterram um filme potencialmente divertido. Como obra de fantasia, possui elementos criativos e o visual dos monstros e cenários é interessante. Além disso, é raro ver tanta magia e seres fantásticos na telona e as cenas de lutas são bem feitas, com momentos de ação realmente empolgantes.

    A sensação final é muito parecida com a decepção após assistir O Destino De Júpiter: é triste ver boas ideias e conceitos desperdiçados em meio a um roteiro preguiçoso e direção descuidada. Ainda falta alguns produtores de Hollywood entenderem que obras como essas precisam de mais do que um belo visual e boas cenas de ação para conseguirem fãs fieis e sucesso nas bilheterias.

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