O SOLTEIRÃO

O SOLTEIRÃO

(Solitary Man)

2009 , 90 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 22/10/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Brian Koppelman, David Levien

    Equipe técnica

    Roteiro: Brian Koppelman

    Produção: Heidi Jo Markel, Paul Schiff, Steven Soderbergh

    Fotografia: Alwin H. Kuchler

    Estúdio: Millennium Films, Smartest Man Productions

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Danny DeVito, Imogen Poots, Jenna Fischer, Jesse Eisenberg, Mary-Louise Parker, Michael Douglas, Susan Sarandon

  • Crítica

    17/10/2010 19h52

    Aqui está um bom filme sobre a velhice. Sim, velhice, idade, rugas, nova fase da vida, repensar o tempo que resta, tentar driblar a morte. Dar algumas risadas enquanto isso faz bem – ou pelo menos é um ótimo remédio para ignorar a passagem do tempo. Apesar de o título O Solteirão dar a ideia de um filme sobre um coroa bon vivant que curte a idade se envolvendo com a primeira ninfeta que aparece em seu caminho, não é bem assim que a banda toca.

    Trata-se de uma comédia dramática, ou seja, moeda com seus dois lados. Temos piadas, um protagonista muito popular com mulheres mais jovens e risos, mas estes geralmente eles levam o personagem – e o espectador – a tomar conhecimento de sua própria condição humana. À primeira vista, O Solteirão parece uma diversão fútil sobre como fingir que se tem 20 anos, mas o filme de Brian Koppelman e David Levien é feliz justamente nos momentos em se leva a sério.

    Talvez porque a direção ficou nas mãos de dois roteiristas de formação, logo de cara O Solteirão evita uma armadilha tão tentadora quanto mortal: a voz em off. Não há nem uma narração em primeira pessoa para tentar aprofundar o personagem ou em terceira pessoa para ilustrar o que já sabemos (como a irritante voz de Vicky Cristina Barcelona). O filme dá conta de si mesmo e não pede ajuda de intervenções externas.

    A tranquilidade da fruição da história facilita a empatia com Ben Kalmen (Michael Douglas), o solteirão do título. Difícil não se afeiçoar por personagens que se apresentam como bem resolvidos, mas se desnudam como homens complexos, cheios de feridas e equívocos pelo caminho. A empatia leva ao espectador olhar para Ben como um espelho: somos assim também? Temos esse poder de destruição do que está em volta? Como lidamos (ou vamos lidar) quando o tempo começar a cobrar a conta?

    Questões que permeiam O Solteirão. De início, sabemos pouco da história, apenas que Ben Kalmen era um magnata do ramo automotivo, mas meteu os pés pelas mãos e agora é odiado por uma interminável e diversa lista. Sabemos também que ele tem uma ex-mulher muito simpática (Susan Sarandon, outra vez dominante), uma filha compreensiva (Jenna Fischer), um genro durão (David Costabile) e um lindo neto (Jake Richard Siciliano). O resto o filme revela.

    Se não são grandes diretores ou totalmente consciente de como usar a câmera para criar lindos planos, Brian Kopleman e David Levien tiveram a felicidade de trabalhar com um roteiro redondo na mão – a propósito, escrito por Kopleman. Seguro, o filme nos conduz a observar com muita atenção todos os seus personagens. Como O Solteirão decide não julgá-los, sobra para o espectador a responsabilidade em reconhecer que todos ali têm muitas razões, até mesmo quem é escroto e afasta tudo que cheire a ternura perto dele.

    O amor é um acontecimento deslumbrante, tão importante quanto a amizade e a arte para sobreviver num momento em que reina a mediocridade. Pena que existam pessoas como Ben a enxergar envolvimento como sinônimo de sofrimento porvir. O Solteirão não pede compaixão com seu protagonista, mas é difícil não sentir pena de sua fragilidade travestida de maturidade.

    Falando no protagonista, Michael Douglas o interpreta com absoluta tranquilidade. Os atores sempre dizem que precisam buscar, além da técnica, elementos dentro de si para dar vida a um personagem. Douglas, alguém com tantos altos e baixos na vida, deve ter encontrado várias semelhanças com Ben. Os cineastas entregaram o filme ao ator certo.

    O plot educativo de personagens que desconhecem (ou ocultam) suas fraquezas humanas e impotência com a força da vida costuma resultar em histórias que provocam algum processo em quem assiste, seja um drama de alguém que apanha da vida (O Lutador) ou sobre quem dribla o tempo (Atlantic City). O Solteirão é inferior a ambos os filmes, mas pertence à mesma trajetória que eles.

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