O Velho do Rastelo

O VELHO DO RASTELO

(O VELHO DO RASTELO)

2014 , 19 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Manoel de Oliveira

    Equipe técnica

    Roteiro: Manoel de Oliveira

    Produção: Daniel Chabannes de Sars, Luís Urbano, Sandro Aguilar

    Fotografia: Renato Berta

    Trilha Sonora: José Luís Borges Coelho

    Estúdio: Epicentre Films, O Som e a Fúria

    Montador: Valérie Loiseleux

    Elenco

    Diogo Dória, Júlia Buisel, Luís Miguel Cintra, Mario Barroso, Ricardo Trepa

  • Crítica

    08/10/2014 12h05

    "O mar pariu Os Lusíadas, a mente humana Dom Quixote", diz em determinado momento um dos personagens de O Velho do Rastelo, curta-metragem que o português Manoel de Oliveira apresentou pela primeira vez no Festival de Veneza deste ano. É justamente esse tom interpretativo que permeia todo o projeto, dirigido pelo cineasta no jardim de sua casa aos 105 anos de idade.

    Mistura de reflexão e manifesto, o filme traz um grupo de figuras míticas da literatura ibérica no papel de protagonistas. Camões, Miguel de Cervantes, Camilo Castelo Branco e Teixeira de Pascoaes relembram, quadro a quadro, as glórias e quedas, os momentos históricos da formação do estado-nação português, como a batalha de Alkácer-Quibir e o desaparecimento do rei Dom Sebastião.

    As ondas que chegam ao cais logo na abertura, as imagens de Dom Quixote (filme clássico do russo Grigori Kozintsev da década de 50) e cenas de Non, a Vã Glória de Mandar e O Quinto Império (dirigidos pelo próprio Manoel de Oliveira) se fundem a Portugal de nossos tempos, em que os personagens se reúnem para uma conversa em um banco de uma praça.

    O diálogo tem como ponto de partida justamente O Velho do Rastelo, personagem de Os Lusíadas e sua noção dialética (ou pessimista) sobre o deslumbramento das grandes navegações, período áureo do mundo ibérico. Seus dizeres, vistos pelo filme como proféticos, anteciparam o trágico destino português. É aquela noção de que toda vitória traz a derrota implícita, sentimento que parece acompanhar nossos descobridores nos últimos séculos.

    Esse olhar para si mesmo, uma tentativa de entender a sua própria história, cria um tom épico, algo que Manoel de Oliveira parece utilizar como metáfora de sua própria trajetória ou talvez como mero pastiche de seu país.

    A verdade é que, como reflexo ou como conclusão de uma filmografia que sempre prezou pela fuga dos padrões, O Velho do Rastelo é realmente, não há palavra melhor, emocionante. 

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