O VENCEDOR (2010)

O VENCEDOR (2010)

(The Fighter)

2010 , 115 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 04/02/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David O. Russell

    Equipe técnica

    Roteiro: Eric Johnson, Paul Tamasy, Scott Silver

    Produção: David Hoberman, Dorothy Aufiero, Paul Tamasy, Ryan Kavanaugh, Todd Lieberman

    Fotografia: Hoyte Van Hoytema

    Trilha Sonora: Michael Brook

    Estúdio: Closest to the Hole Productions, Fighter, Mandeville Films, Relativity Media, The Park Entertainment, The Weinstein Company

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    A. Joseph Denucci, Alison Folland, Amy Adams, Anthony "Ace" Thomas, Anthony Molinari, Art Ramalho, Bianca Hunter, Bo Cleary, Bonnie Aarons, Brian A. Nguyen, Brian Christensen, Caitlin Dwyer, Carlos L. Smith, Catherine Lynn Stone, Chanty Sok, Christian Bale, Colin Hamell, Dale Place, David A. Ramalho Sr., Deborah Bolanger, Dendrie Taylor, Don Dunphy, Eddie Lee Anderson, Emanuel Steward, Epifanio Melendez, Eric Weinstein, Erica McDermott, Frank Renzulli, George Foreman, George Michael Ward, Gerald Greenhalge, Hugh K. Long, Jack Greenhalge, Jack Lally, Jack McGee, Jackson Nicoll, Jen Weissenberg, Jenna Lamia, Jeremiah Kissel, Jerrell Lee, Jill Quigg, Jim Lampley, Joe Lupino, José Antonio Rivera, Kate B. O'Brien, Kerry Moore, Kevin Paige, Kim Carrell, Larry Merchant, Mark Wahlberg, Matt Russell, Matthew Muzio, Matthew Russell, Melissa Leo, Melissa McMeekin, Michael Buffer, Michael Dell'Orto, Mickey O'Keefe, Miguel Espino, Paul Campbell, Paul Locke, Peter Cunningham, Philip D. Herbert, Raul Vera, Ray Greenhalge, Richard A. Eklund, Richard Eklund Jr., Richard Farrell, Rikki Kleiman, Rita Mercier, Roeun Chea, Ross Bickell, Roy Jones Jr., Sean Eklund, Sean Malone, Sean Patrick Doherty, Simon Hamlin, Steven Barkhimer, Sue Costello, Sugar Ray Leonard, Ted Arcidi, Thomas Benton, Tino Kimly, Tommy Eklund, Walter Driscoll, Ziad Akl

  • Crítica

    13/01/2011 16h31

    Em O Vencedor, a direção de David O. Russell nos convida a entrar na vida do boxeador Micky Ward e compartilharmos sua desestruturada família. Supomos como a história vai terminar, mas é espantosa a habilidade de O. Russell em dirigir uma viagem cinematográfica.

    Franco Zeffirelli tentara fazer o mesmo com o O Campeão (1979), mas não encontrou o tom e seu filme se tornou um dramalhão sobre um boxeador decadente. O. Russell demonstra como realizar um longa emocionante e caloroso sem sequer aproximar-se do apelativo ou do exagero. O Vencedor usa os temperos certos para a sua receita: contar uma história onde a família é, ao mesmo tempo, abnóxia e daninha.

    "Irish” Micky Ward (Mark Wahlberg) é uma promessa do boxe que não consegue vingar. A culpa, em parte, é de seu irmão mais velho, Dicky (Christian Bale), ex-boxeador que perdeu a carreira para o vício do crack, e Alice (Melissa Leo), mãe sem estrutura alguma para a função.

    Dicky e Alice deveriam ser a impulsão para a carreira de Micky, mas acabam funcionando como freio de mão. Laços familiares, nos lembra O Vencedor, são realmente complicados. É difícil encontrar a medida certa entre a proteção e a exploração, o amor e o controle, o benéfico e o maléfico, a distância ou a aproximação.

    Logo na sequência inicial, Mickey e Dicky pavimentam o asfalto num dia qualquer de trabalho. Em seguida, começam a boxear como velhos amigos e algumas pessoas chegam. Estamos bem próximos desses dois camaradas, que descobriremos irmãos, mas a câmera recua em acelerado travelling e nos pede para assistir, ao menos por enquanto, com um pouco de distância.

    O que David O. Russell faz é primeiro indicar o caminho para observarmos com atenção essa família, para depois narrar a partir da perspectiva de cada um. Quando somos Dicky, fantasiamos que um canal de TV está fazendo um documentário sobre a volta do ex-boxeador aos ringues.

    Ao adotarmos o ponto de vista de Alice, sentimos a dificuldade de ser uma mãe neurótica e expressamos amor da pior maneira possível. Se encaramos como Charlene, ficamos espantados com a loucura que é a família de seu namorado, Micky. Finalmente, se incorporamos o ponto de vista do protagonista, só queremos que todos nos deixem em paz e entrem num acordo.

    O Vencedor nos aproxima para, em seguida, nos distanciar dessa família. Depois, contamos/sentimos essa história de acordo com o ponto de vista de cada um. Ao entendermos que todos têm razão, mas nem por isso deixam de ser nefastos, voltamos a observar com distância. Impossível não se deixar conduzir por essa narrativa cinematográfica.

    Dentro da indústria de cinema americana, cada vez menos disposta a correr risco e investindo em filmes sem lastro, David O. Russell conseguiu o que Jason Reitman já lograra: contar, na superfície, uma história de superação, tema caro ao imaginário norte-americano, para, na verdade, discutir, com distância e aproximação, algo mais sério que, no caso desse filme, está nas relações familiares.

    Em tempo: merece uma menção a caracterização de Christian Bale, Melissa Leo e Amy Adams em seus respectivos personagens. Especialmente Bale, exímio na postura corporal, embocadura, sotaque e olhar flamejante de alguém que perdeu tudo que poderia ter sido.

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