O VENDEDOR

O VENDEDOR

(Le Vendeur)

2011 , 107 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 13/01/2012

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Sébastien Pilote

    Equipe técnica

    Roteiro: Sébastien Pilote

    Produção: Bernadette Payeur, Marc Daigle

    Fotografia: Michel La Veaux

    Estúdio: Association Coopérative des Productions Audio-Visuelles (ACPAV)

    Distribuidora: Lume Filmes

    Elenco

    Gilbert Sicotte, Jean-François Boudreau, Jean-Robert Bourdage, Jeremy Tessier, Nathalie Cavezzali, Pierre Leblanc

  • Crítica

    11/01/2012 15h00

    O Vendedor não é apenas um filme sobre o fim da estrada para um senhor, mas também um comentário sobre a finitude de um modelo financeiro. São essas duas narrativas que se justapõem no drama de estreia do canadense Sébastien Pilote, indicado ao Grande Prêmio do Júri do Festival de Sundance em 2011.

    Pois em ambos relatos (o micro e o macro) o que está em jogo é a vontade (e a habilidade) de uma pessoa (ou de uma sociedade) em sobreviver quando o roteiro das próprias vidas, que até então se acreditava imutável, toma outros rumos bruscos. Quando a turbulência vier (e ela sempre chega), Marcel (Gilbert Sicotte) será arrastado ou fugirá da correnteza?

    O Vendedor
    é um título coerente ao filme. Antes de qualquer outro substantivo ou adjetivo para ilustrar o personagem, sua profissão: vendedor de carros. É por ela que Marcel se define. Nela gravita o restante de sua vida. É nela que o senhor de 67 anos mostra seu talento (que lhe rendem sucessivas medalhas ano após ano) ou socializa. É por causa dela que Marcel ainda existe.

    Por mais que a duradoura profissão de vendedor seja o que define o caráter de Marcel, há outros aspectos de sua vida. Quando eles cobram a atenção do vendedor, talvez seja tarde demais – especialmente sua família. É dessa maneira que Pilote dirigiu e escreveu o filme: relacionando esse drama particular que consegue a identificação do espectador com a dependência que a pequenina cidade de Lac Saint-Jean, em Quebéc, tinha da fábrica de papel local. Quando ela rui, a cidade e seus habitantes vão juntos.

    É disso que falamos: da dependência e de como reagir quando o que a mantinha se esvai. Ou mais: de um mundo mais complexo do que Marcel consegue dar conta. Chega até ser um exercício interessante para o espectador criar uma trama própria para cada um dos outros fictícios habitantes da cidade, cujas histórias também poderiam ser contada pelo cinema.

    Pelo tom deste texto percebe-se que o mais notável mérito de O Vendedor está no roteiro. A direção também não deixa de se fazer visível ao construir uma atmosfera serena, em que o frio canadense é quase um personagem a parte, um sintoma do que virá. Merece destaque também o veterano ator Gilberte Scotte, recentemente visto numa participação em Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte: sensível e sem exageros, assim como o filme.

    Discreto, mas eficiente, O Vendedor é um dos poucos filmes a colocar um personagem idoso sem pieguismo, paternalismo ou um humor que pretensamente alivia o que há de dor no filme: um senhor de 67 anos tem de reaprender a viver – assim como toda a cidade em sua volta.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus