O VESTIDO

O VESTIDO

(O Vestido)

2004 , 121 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Thiago

    Equipe técnica

    Roteiro: Haroldo Marinho Barbosa, Paulo Thiago

    Produção: Glaucia Camargos

    Fotografia: Guy Gonçalves

    Trilha Sonora: Túlio Mourão

    Elenco

    Ana Beatriz Nogueira, Anna Luíza Gonçalves, Daniel Dantas, Gabriela Duarte, Leonardo Vieira, Othon Bastos, Paulo José, Renato Borghi

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É sempre aquela velha história: o cinema brasileiro está crescendo, vamos prestigiar os filmes nacionais e essa coisa toda. O que é ótimo, claro. Mas, para nós, os críticos, tem também outra velha história: ser ou não condescendente em relação às produções daqui? Eu digo que não. Nossa função é criticar filmes, independentemente da nacionalidade. Mas, mesmo assim, sempre existe o dilema quando vejo um filme brasileiro ruim. A conclusão? Não, não vou rasgar a seda para O Vestido só porque é brasileiro.

    O filme, dirigido por Paulo Thiago, é daqueles cheios de boas intenções. Adaptação de um dos poemas mais famosos de Carlos Drummond de Andrade - O Caso do Vestido -, O Vestido traz os acontecimentos do texto original (publicado em 1945) para os dias de hoje, locados em uma cidade do interior de Minas Gerais. O longa começa com duas meninas brincando com um vestido rosa. A indumentária tem a ver com o passado de Ângela (Ana Beatriz Nogueira), a mãe das crianças, que resolvem questioná-la sobre a peça. Ângela, então, conta para suas filhas os acontecimentos que levaram-na a ter lembranças tão incômodas em relação à vestimenta.

    Três anos antes, Ângela achava que tinha uma vida perfeita. Era uma professora querida pelos alunos, tinha um belo marido, Ulisses (Leonardo Vieira), duas filhas lindas e uma bela casa. Só que a chegada de uma mulher mudou tudo. Ela é Bárbara (Gabriela Duarte, Melhor Atriz no Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva por este papel), uma carioca que namora Fausto (Daniel Dantas), amigo de Ulisses. Em pouco tempo, a jovem carismática se infiltra na vida de Bárbara de tal maneira que a recatada mineira chega a presentear a nova amiga com um vestido que seu marido mandara fazer. Assim que Ulisses bota o olho em Bárbara trajando a peça, está construída a tragédia. O vestido de Ângela acaba sendo o coadjuvante em uma história repleta de traição, lágrimas, reviravoltas, sangue, mais lágrimas e tudo aquilo que permeia os melodramas.

    Fazer um melodrama foi mesmo a intenção de Paulo Thiago. O problema é: melodramas são chatos. Tudo bem, a idéia de fazer um roteiro a partir do poema de Andrade é mais do que louvável, mas o conjunto que compõe o filme não funciona. Os diálogos soam falsos, literários demais, assim como as próprias situações. A trilha sonora também não ajuda - é óbvia demais. Por tudo isso, rola uma sensação de desconforto durante as duas horas de película. Mas, calma, O Ventido não é de todo ruim: as boas interpretações acabam fazendo com que os 120 minutos sejam menos longos do que parecem.

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