O VOO

O VOO

(Flight)

2012 , 138 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/02/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Robert Zemeckis

    Equipe técnica

    Roteiro: John Gatins

    Produção: Jack Rapke, Laurie MacDonald, Robert Zemeckis, Steve Starkey, Walter F. Parkes

    Fotografia: Don Burgess

    Trilha Sonora: Alan Silvestri

    Estúdio: Paramount Pictures, Parkes/MacDonald Productions

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Adam C. Edwards, Adam Tomei, Al G. Sillah, Alonzo Cook, Anthony B. Harris, Bethany Anne Lind, Boni Yanagisawa, Bradford Haynes, Brian F. Durkin, Brian Geraghty, Bruce Greenwood, Cabrenna H. Burks, Camille Murray, Candace Blanchard, Carter Cabassa, Charles Casey, Charlie E. Schmidt, Curtis Gammage, Dane Davenport, Denzel Washington, Don Cheadle, E. Roger Mitchell, Garcelle Beauvais, Gregory Marshall Smith, Harley Shellhammer, Holly Firfer, J.T. Seidler, Jackson Walker, James Badge Dale, Jason Benjamin, Jennifer Olympia Bentley, Jermaine Thomas, Jill Jane Clements, Joel Rogers, John Crow, John Goodman, Justin Martin, Keith Ratchek, Kelly Reilly, Kevin Michael Murphy, Kwesi Boakye, L. Stephanie Ray, Marie Keefe, Melissa Leo, Michael Beasley, Miles Mussenden, Miller Carbon, Nadine Velazquez, Philip Pavel, Rhoda Griffis, Ric Reitz, Sharon Blackwood, Steve Coulter, Tamara Tunie, Tammy Luthi Retzlaff, Tara Jones, Ted Huckabee, Thomas Elliott, Timothy Scott, Todd Maynor, Tommy Kane, Tony D. Sims, Zack Kibria

  • Crítica

    04/02/2013 17h05

    Por Daniel Reininger

    Logo na primeira cena de O Voo, Whip Whitaker (Denzel Washington) acorda de ressaca ao lado de uma bela mulher, pega uma cerveja e cheira uma carreira de cocaína. Em seguida, vai para o trabalho -ele é piloto comercial e deve voltar à Atlanta. Após intensa turbulência, aproveita os céus claros para beber mais três garrafinhas de vodca misturada com suco de laranja, ao mesmo tempo em que fala algumas palavras reconfortantes aos 102 passageiros a bordo.

    Tudo tranquilo, com direito a tempo para uma soneca, até que o avião apresenta problemas hidráulicos e começa cair. A cena a seguir é espetacular, dirigida com precisão por Robert Zemeckis (Naufrágo). O piloto, acelerado pelas drogas, faz uma manobra ousada para salvar vidas, chegando a deixar o avião de ponta cabeça. Depois de muita luta, a aeronave pousa em relativa segurança em um campo há alguns quilômetros do aeroporto. Apenas 6 morrem e assim nasce um herói. Pelo menos até sair o exame toxicológico da tripulação.

    A partir daí começa um drama moralista sobre alcoolismo, abuso de drogas e mentiras. Denzel interpreta de forma inspirada um homem atormentado, com relações cortadas com sua ex-mulher e filho, que entra em depressão depois de perder a namorada no acidente. Ele decide, então, parar de beber, mas tudo desmorona quando descobre ser alvo de uma investigação que pode o colocá-lo na prisão pelo resto da vida.

    Diante dessas provações, Whip se entrega ao vício. Com isso, o personagem alterna momentos de fragilidade, com postura desleixada e olhar distante, com situações de confiança e arrogância, típicos de alguém sob efeito de cocaína. Washington faz uma das melhores atuações de sua carreira e convence como pessoa instável, decadente e orgulhosa, desempenho que justifica sua indicação ao Oscar.

    O roteiro de John Gatins (Gigantes de Aço) é bem direto e Zemeckis consegue criar suspense máximo até nas cenas mais simples. Em uma delas, um simples minibar nunca foi tão assustador. Cada situação é criada para captar a angústia de um homem prisioneiro de seus próprios vícios e as consequências para aqueles à sua volta.

    O grande mérito de O Voo são seus personagens. É difícil encontrar indivíduos tão profundos em filmes para o grande público. Como Nicole (Kelly Reilly), viciada em heroína que passa a viver com o piloto e, embora pareça estar em pior estado que ele, pelo menos tenta a recuperação. Ou o traficante Harling Mays (John Goodman), alívio cômico do filme, que tem uma relação parasítica com Whip.

    Embora os minutos iniciais de O Voo sejam impactantes, falar que o longa é algo além de um bom drama é exagero. O diretor evita correr riscos para criar um filme redondo, mas falta atravessar esse limiar, ir além do esperado e trazer um olhar novo ao tema. Ao menos é bom ver que Zemeckis não perdeu a mão depois de 12 anos envolvido exclusivamente com animações.

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