O VOTO É SECRETO

O VOTO É SECRETO

(Raye Makhfi/ Secret Ballot)

2001 , 100 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Babak Payami

    Equipe técnica

    Roteiro: Babak Payami

    Produção: Babak Payami, Marco Muller

    Fotografia: Farzad Jadat

    Trilha Sonora: Mike Galasso

    Elenco

    Cyrus Abidi, Farrokh Shojaii, Gholbahar Janghali, Nassim Abdi, Youssef Habashi

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É praticamente um filme de estreantes. Trata-se do primeiro roteiro e apenas da segunda direção de longas do cineasta Babak Payami, e da primeira vez que a dupla central de atores faz um filme. E mesmo assim o resultado é surpreendente: com um humor simples e sarcástico, O Voto é Secreto põe um amplo sorriso na face do cinema iraniano, geralmente tão árido.

    O filme abre com um avião jogando uma caixa, de pára-quedas, sobre uma ilha isolada da civilização. Na amplidão do deserto, surge a primeira ironia: a caixa cai perto de dois guardas que, mesmo tendo milhares de metros a céu aberto à disposição, preferem dividir um apertado beliche. Logo o espectador se inteira da situação. Está se iniciando um dia de eleições e o misterioso pacote na verdade traz uma urna e instruções para os dois guardas. Eles devem esperar um agente que será o responsável por procurar os eleitores e coletar os votos dos cidadãos da remota ilha.

    A partir daí, O Voto é Secreto é uma espécie de road movie cômico-político. Um dos guardas (Cyrus Abdi) e uma agente do governo (Nassim Abdi) saem com um velho jipe atrás de todo e qualquer habitante do vilarejo que seja maior de idade e possua carteira de identidade. A dicotomia é imediata: o guarda - armado e militarista - não consegue entender a importância de tudo aquilo. E a agente - moderna e esclarecida - faz o possível e o impossível para exercer com o máximo rigor sua função política.

    Pelo caminho, ambos cruzam com situações que poderiam acontecer no Irã ou na Tailândia. No Peru ou no Brasil. Um homem carregando dezenas de mulheres em seu caminhão exige votar em nome de todas, já que elas "nem sabem quem são os candidatos". Uma mulher diz que não pode votar porque seu marido não está em casa. Um grupo se recusa a participar da votação porque não está contente com nenhum dos candidatos apresentados. Um camelô diz à agente do governo que só vota se ela comprar alguma coisa. A maioria nem sabe que é dia de eleição. Quem sabe, parece não ligar. Na empoeirada estrada da democracia, há bebês nascendo e pessoas morrendo. O panorama geral é de um Irã (ou Tailândia, Peru, Brasil...) dividido entre a força do voto democrático e o poder dos preconceitos, do machismo e do militarismo. Sem perder o bom humor, jamais.

    Premiado em vários festivais internacionais - inclusive em Veneza e na Mostra de São Paulo - O Voto é Secreto foi realizado a partir de uma idéia do cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf (o mesmo de Gabbeh e O Silêncio) e mantém os elementos típicos do cinema produzido naquele país: o ritmo todo próprio, a simplicidade, a narrativa crua. Mas traz um frescor de riso e alegria que não se via na produção do Irã desde o também ótimo O Jarro.

    Um belo filme.

    22 de abril de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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