O XANGÔ DE BAKER STREET

O XANGÔ DE BAKER STREET

(O Xangô de Baker Street)

2001 , 120 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Miguel Faria Jr.

    Equipe técnica

    Roteiro: Patrícia Melo

    Produção: Bruno Stroppiana

    Fotografia: Lauro Escorel

    Trilha Sonora: Edu Lobo

    Estúdio: Sky Light

    Elenco

    Anthony O'Donnell, Antônio Pompeo, Cláudia Abreu, Cláudio Marzo, Cristine Fernandes, Jô Soares, Joaquim de Almeida, Letícia Sabatella, Marcelo Anthony, Marco Nanini, Maria de Medeiros

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Rio de Janeiro, 1886. Um ladrão misterioso rouba o valiosíssimo violino Stradivarius que D. Pedro II (Cláudio Marzo) secretamente deu de presente à atriz francesa Sarah Bernhardt (Maria de Medeiros). Ao mesmo tempo, violentos assassinatos começam a acontecer na então capital da República. Para resolver os crimes, o imperador manda chamar, diretamente da Inglaterra, ninguém menos que o famoso detetive Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida) e seu ajudante Watson (Anthony O´Donnel), para o descontentamento do chefe de polícia local, o delegado Mello Pimenta (Marco Nanini).

    Foi com esta mistura de personagens reais e fictícios que o humorista e apresentador de TV Jô Soares transformou seu livro – O Xangô de Baker Street – num verdadeiro best-seller, com quase meio milhão de exemplares vendidos. O sucesso editorial foi adaptado para o cinema, graças a um generoso orçamento de R$ 10 milhões rateados entre Brasil e Portugal.

    O Xangô de Baker Street, o filme, tenta se equilibrar na fina linha que divide o suspense policial da comédia de costumes. O fiel desta inconstante balança é o ótimo personagem de Sherlock, muito bem-interpretado pelo ator português Joaquim de Almeida, o mesmo de A Balada do Pistoleiro e Capitães de Abril. Almeida alterna com precisão seus diálogos lusos e britânicos, sabe ser ingênuo e/ou cínico quando necessário e encontra assim o tom exato para este divertido Sherlock tropical.

    A reconstituição de época é impecável e a produção enche os olhos, em seus mínimos detalhes. Foram utilizadas 1.200 roupas de época, além de perucas alugadas da loja Angel´s, de Londres. Faltou, porém, uma história melhor a ser contada. Vez por outra, o roteiro perde-se em subtramas desnecessárias (caso da prisão de Sherlock, flagrado com a namorada num banco de jardim) ou em gags forçadas (como a “invenção” da caipirinha) que diluem ainda mais o conteúdo da trama.

    Entre altos e baixos, O Xangô de Baker Street tem o mérito de provar que o acabamento técnico de uma produção nacional já tem competência para alcançar padrões internacionais. Mas falha ao tentar transformar em filme de qualidade um livro de conteúdo apenas mediano.

    A direção é de Miguel Faria Jr., que não dirigia um longa-metragem desde 1990, com seu premiado Stelinha.

    23 de outubro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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