Pôster do filme Obsessão

OBSESSÃO

(The Paperboy)

2012 , 107 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 04/10/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lee Daniels

    Equipe técnica

    Roteiro: Peter Dextel

    Produção: Cassian Elwes, Ed Cathell III, Hilary Shor, Lee Daniels

    Fotografia: Roberto Schaefer

    Trilha Sonora: Mario Grigorov

    Estúdio: Benaroya Pictures, Lee Daniels Entertainment, Millennium Films, Nu Image Films

    Montador: Joe Klotz

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Adam Sibley, Adrienne Esteen, Ava Bogle, Beau Brasseaux, Camille Balsamo, Chip Carriere, Danny Hanemman, David Oyelowo, Jeanine Hill, John Cusack, John P. Fertitta, Katarzyna Wolejnio, Leslie Hippensteel, Lorrie Chilcoat, Matthew McConaughey, Nealla Gordon, Ned Bellamy, Nicole Kidman, Nikolette Noel, Rene'J. F. Piazza, Scott Glenn, Zac Efron

  • Crítica

    01/10/2013 11h00

    Por Daniel Reininger

    Sexo, decadência e preconceito são os temas do novo filme de Lee Daniels. O diretor de Preciosa - Uma História De Esperança decidiu ir fundo no sujo e deprimente estilo cinematográfico conhecido como gótico sulista e, ao lado de grande elenco, cria um drama intenso, mas que sofre com personagens estereotipados e trama difusa.

    Baseado no romance homônimo de Pete Dexter, o longa acompanha a investigação de dois irmãos sobre o assassinato de um xerife na Flórida, em 1969. Ward (Matthew McConaughey) é um repórter de Miami que retorna à sua pequena cidade natal em busca de um possível erro judiciário, o qual pode condenar à morte um homem inocente. Seu irmão Jack (Zac Efron) é contratado como motorista, mas aos poucos se torna o protagonista.

    A razão para o interesse dos rapazes no caso é Charlotte Bless (Nicole Kidman), mulher de quarenta e poucos anos, sem perspectivas de vida e com fetiche por presidiários. Ela acaba apaixonada pelo condenado Hillary Van Wetter (John Cusack) e tenta provar sua inocência a todo custo.

    Daniels não é conhecido por sua sutileza na direção e parece ser a pessoa certa para se aventurar nesse gênero. No decorrer da trama, Ward e Jack entrevistam tipos estranhos e visitam pântanos perigosos – não só pelos animais selvagens do local. A fotografia é propositalmente suja, quase como se as melhorias técnicas dos últimos 40 anos não tivessem ocorrido. As cores e contrastes parecem amadores e a iluminação exagerada. Até a montagem lembra um longa de baixo orçamento e isso ajuda a criar o clima da produção.

    Forçando a mão para lembrar documentários dos anos 60, o filme começa com a doméstica da família, Anita (Macy Gray), narrando os fatos. Esse é o primeiro sinal de problemas, já que o recurso é desnecessário e mal utilizado. As coisas não demoram a desandar. Entre cenas de Zac Efron seminu e momentos grotescos, o enredo se perde pela má escolha da história central. O mistério inicial é deixado de lado e a narrativa se perde em tramas paralelas desnecessárias. Eventualmente, o foco muda por completo e passamos a acompanhar a obsessão sexual de Jack por Charlotte.

    Ao contrário de Preciosa, as atuações deixam bastante a desejar. Charlotte é, como outro personagem a descreve, "uma boneca Barbie super sexualizada" e não parece uma pessoal real. Cusack se limita ao estereótipo padrão da vilania do sul dos Estados Unidos e McConaughey, cujo arco poderia ser o mais interessante, fica de lado a maior parte do tempo; apenas gera simpatia quando se dá mal. A dinâmica mais convincente acontece entre Jack e Anita, embora a decisão de usá-la como narradora não tenha funcionado.

    Obsessão tem bons momentos, porém, deixa um gosto amargo na boca ao final da sessão. Embora o impacto visual seja inegável e temas espinhosos sejam tratados com naturalidade, o longa não funciona, ao menos não tão bem quanto Killer Joe - Matador De Aluguel - este sim, bom exemplo de como abordar a decadência sulista no cinema.

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