Pôster de Obsessão

OBSESSÃO

(Greta)

2019 , 98 MIN.

14 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 13/06/2019

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Neil Jordan

    Equipe técnica

    Roteiro: Neil Jordan, Ray Wright

    Produção: Dylan Tarason, James Flynn, John Penotti, Lawrence Bender, Mark O'Connor, Sidney Kimmel

    Fotografia: Seamus McGarvey

    Trilha Sonora: Javier Navarrete

    Estúdio: Lawrence Bender Productions, Little Wave Productions, Sidney Kimmel Entertainment

    Montador: Nick Emerson

    Distribuidora: Galeria Distribuidora

    Elenco

    Arthur Lee, Brandon Lee Sears, Chloë Grace Moretz, Colm Feore, Elisa Berkeley, Hershel Blatt, Isabelle Huppert, Jane Perry, Jeff Hiller, Jessica Preddy, Maika Monroe, Nagisa Morimoto, Navi Dhanoa, Parker Sawyers, Raven Dauda, Rosa Escoda, Stephen Rea, Thaddeus Daniels, Traci Hovel, Zawe Ashton

  • Crítica

    01/07/2019 15h14

    Por Daniel Reininger

    Um thriller clássico de perseguição. A vítima conhece seu futuro algoz. No início, a relação entre ambos (seja um namoro, amizade, casamento etc) é um mar de rosas, tudo se encaixa perfeitamente e ambos se dão maravilhosamente bem. Em um determinado momento, a vítima passa a se sentir sufocada e/ou descobre algo perigosamente perturbador sobre o algoz. Pronto: ao tentar se afastar, começa o jogo de gato e rato.

    Quem nunca assistiu a um filme com um roteiro exatamente igual ou ao menos similar?

    No mais recente longa de Neil Jordan (Entrevista Com O Vampiro), a narrativa se mostra, em sua essência, idêntica a tanta outras. Entretanto, é nas pequenas diferenças que ele joga por cima de uma fórmula já batida uma nova e interessante roupagem. O gênero, geralmente protagonizado por homens (especialmente no papel de antagonista), aqui ganha o protagonismo de duas mulheres de diferentes idades e personalidades.

    Greta (vivida pela sempre incrível Isabelle Huppert), uma solitária e reclusa mulher de meia idade, começa uma amizade aparentemente inocente com Frances (Chloë Grace Moretz), uma menina ingênua que acredita na bondade das pessoas e enxerga, na figura de Greta, uma figura maternal e acolhedora. Depois de uma descoberta perturbadora, a menina escuta os conselhos da melhor amiga Erica (Maika Monroe) e se afasta da nova companhia. Daí em diante, o padrão stalker movie se estabelece e assistimos a uma perseguição que é funcional no início, mas que perde parte considerável de sua força.

    Muito popular nos anos 80 e 90 como subgênero do suspense, o stalker movie caiu nas graças do público com facilidade. Nesses filmes podemos esperar suspense, alguns elementos típicos do horror e, por que não, do trash e do gore de vez em quando. Distante das telonas após fazer verdadeiras obras-primas, o irlandês Neil Jordan nos oferece no primeiro ato de Greta a apresentação das personagens, uma relação amigável rápida entre as mesmas e já introduz, sem mais delongas, a força motriz do longa: a perseguição. Os avanços de Greta são críveis e vão perturbando o espectador de maneira orgânica e gradativa, sem utilização desnecessária da violência física e sim da pressão psicológica. O talento sem precedentes de Huppert e sua química com Moretz consegue dar vitalidade a uma fórmula extremamente passada.

    No entanto, na segunda metade do longa, o filme começa a perder a força e deixar de nos cativar enquanto vagueia por elementos aleatoriamente inseridos  na trama. A violência fica caricatural e os embates também passam a ficar um bocado sem graça. Com a inserção de personagens rasos em determinadas cenas, a perseguição fica um pouco de lado e subtramas porcamente trabalhadas ganham mais espaço. O gore mais pro fim do filme é ineficiente, bem como os jumpscares. Uma tentativa um tanto fracassada de brincar com elementos do horror.

    A melhor parte do longa é, sem dúvidas, o elenco. Já conhecemos muito bem o talento de Isabelle Huppert (seu trabalho em Elle é magnífico) e aqui, ela nos entrega uma vilã incrível. Doce e maternal, ela guarda em pequenos gestos e olhares suas intenções escusas e doentias. Quando a personagem explode, é sempre uma surpresa (elemento que é muito bem-vindo num thriller se perseguição). Já Chloe interpreta bem toda a timidez, insegurança e ingenuidade de sua personagem, mas nada que já não tenhamos visto centenas de vezes em filmes do gênero.

    Mesmo com deslizes consideráveis, Greta é mais uma boa oportunidade para prestigiar o trabalho de Huppert e curtir um thriller de perseguição sem grandes expectativas e comprometimento.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus