Olho Nu

OLHO NU

(Olho Nu)

2012 , 101 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 15/05/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Joel Pizzini

    Equipe técnica

    Roteiro: Joel Pizzini

    Produção: Paloma Rocha, Sara Rocha

    Fotografia: Luís Abramo

    Trilha Sonora: Ney Matogrosso

    Estúdio: Canal Brasil, Paloma Rocha Produções Artísticas e Cinematográficas

  • Crítica

    13/05/2014 12h07

    Ney Matogrosso é um artista completo, isso não é nenhuma novidade. Jogou sua libido andrógina na cara da sociedade em tempos bem difíceis. Filho de pai militar, já nasceu transgressor: declara como sua maior sorte precisar se impor em relação a essa figura autoritária.

    Olho Nu, documentário escrito e dirigido por Joel Pizzini, chega aos cinemas para jogar luz nessa trajetória ímpar. Traz materiais incríveis de apresentações e entrevistas do cantor, mas em termos de originalidade estética e narrativa não é nenhuma obra prima. Se retratasse um artista cujo conteúdo não fosse tão expressivo, talvez não tivesse tanto destaque.

    A casa onde Ney Matogrosso nasceu é pano de fundo da memória e o artista vaga por seus grandes cômodos narrando a própria história. Não há muito critério para as mudanças de temas ou épocas, apesar de uma tentativa de linearidade cronológica. Cortes são inseridos e jogam o espectador para outro ponto sem muita explicação.

    As imagens se apoiam o tempo todo nas músicas do artista. Então, o que acontece de mais bonito nesse trabalho é justamente a arte de Ney Matogrosso. Mérito talvez tenha sido escolher bons momentos, como o do pai militar falando após o primeiro show do filho, as imagens da época do Secos e Molhados e as ótimas entrevistas ao longo da vida.

    Montagens um pouco mais trabalhadas, como as das cenas iniciais, parecem ser esquecidas ao longo da obra e indicam um certo cansaço criativo onde antes havia a pretensão de ser marcante.

    Por outro lado, foi certeiro não enfatizar demais alguns pontos conhecidos da vida do cantor, como a opção sexual e sua relação com Cazuza. Dessa parte, tem-se um quadro obscuro e polêmico: Ney perdeu cerca de 13 amigos em dois anos da década de 80 e não se espantaria se o vírus do HIV fosse desenvolvido como arma pelo próprio ser humano.

    Apesar dessa mágoa realista acumulada ao longo da experiência, o documentário busca retratar outro lado do artista, sua proximidade com a natureza e calma obtida nos anos de maturidade e consequente proximidade com a morte.

    De qualquer forma, apesar de expor alguns pontos desconhecidos pela maioria, o documentário permanece na superfície da persona pública - mesmo com o esforço de adentrar os primeiros anos de vida e da carreira artística.

    Vale a pena sim ser visto por fãs e apreciadores de música em geral. Muitas das frases e reflexões acerca da vida e arte reverberam por dias na memória. Mas, talvez a forma de contar a história de Ney Matogrosso precisasse ser tão ousada quanto ele. E daí, digamos que o desafio vai um pouco mais longe do que o cineasta imaginava.

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