ONDE ANDA VOCÊ?

ONDE ANDA VOCÊ?

(Onde Anda Você?)

2003 , 100 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sérgio Rezende

    Equipe técnica

    Roteiro: Leopoldo Serran, Sérgio Rezende

    Produção: Mariza Leão

    Fotografia: Guy Gonçalves

    Trilha Sonora: David Tygel

    Estúdio: Morena Filmes

    Elenco

    Drica Moraes, José Dumont, José Wilker, Juca de Oliveira, Regiane Alves

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Intimista e cômico. Amargo e divertido. Carinhoso e cruel. São vários - e paradoxais - os adjetivos que podem definir Onde Anda Você?, novo filme de Sérgio Rezende, o mesmo dos ótimos O Homem da Capa Preta e Quase Nada. Não é uma obra fácil de ser classificada. Não se encaixa exatamente em comédia, nem em drama. Poderia ser a chamada "comédia dramática" ou, então, "um drama com toques cômicos", mas estas não seriam definições corretas nem completas o suficiente. Talvez seja melhor dizer que Onde Anda Você? é um filme muito parecido com a própria vida: não pode ser rotulado numa simples prateleira de videolocadora.

    O ponto de partida é excelente: Felicio (Juca de Oliveira, ótimo como sempre) é acordado no meio da noite pelo telefonema de um amigo. Má notícia: Paloma, a ex-esposa de Felício, havia morrido. Drama. Preocupado, o amigo do outro lado da linha quer saber se, mesmo diante da tragédia, haverá jogo de pôquer na noite seguinte. Felício, entre sonolento e indignado, responde: "Claro! O pôquer é sagrado!". Humor. E negro! Logo nos primeiros minutos o filme já acena com sua alternância de humores que o conduzirá até seu final. Em pouco tempo, o espectador fica sabendo que Felício havia sido um palhaço famoso e seu companheiro de humor e picadeiro (José Wilker) lhe havia roubado Paloma (Drica Moraes), o grande amor de sua vida, agora morta. E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher!

    A morte de Paloma parece que tira um peso de décadas das costas de Felício, que se sente rejuvenescido e pronto para voltar ao show business, mesmo depois de anos de anonimato e reclusão. Decide, num ímpeto de quase loucura, viajar ao Nordeste para tentar encontrar o parceiro ideal para futuras estrepolias circenses. E isso é só o início. A partir daí, Onde Anda Você? torna-se uma espécie de road movie, tanto no sentido físico quanto em sua amplidão de alma.

    Assim como a vida, Onde Anda Você? é fascinante e imperfeito, alternando bons e maus momentos. Os maus? A fraca interpretação do caricato José Wilker, que repete, piorado, o antológico papel de fantasma que fez em Dona Flor e Seus Dois Maridos. Uma escala injustificada na cidade de Teresina que quebra as pernas do ritmo da narrativa. Uma ou outro momento de direção menos eficiente, como a surra que Felício leva de um fotógrafo aproveitador ou as intervenções pouco inspiradas de um videomaker mal-humorado.

    Os bons momentos? Superam os maus. A crítica à queda da qualidade do humor atual é perfeita. Juca de Oliveira novamente rouba a cena. Castrinho e o veterano José Vasconcellos (interpretando a si mesmo) são coadjuvantes de luxo que qualquer filme gostaria. Cheias de nostalgia, a direção de arte e a trilha sonora emolduram e embelezam o filme com rara felicidade. E, para terminar, a participação especial do pernambucano Aramis Trindade (de O Baile Perfumado) fecha o filme com chave de ouro.

    Onde Anda Você? pode não ser o melhor filme de Rezende. Particularmente, prefiro a rudeza e a aridez de Quase Nada. Mas é inegável que se trata de uma obra das mais dignas, que trata de um tema fascinante com extremo carinho e ótimos momentos de afeito.

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