ONDE VIVEM OS MONSTROS

ONDE VIVEM OS MONSTROS

(Where the Wild Things Are)

2009 , 101 MIN.

10 anos

Gênero: Fantasia

Estréia: 15/01/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Spike Jonze

    Equipe técnica

    Roteiro: Dave Eggers, Spike Jonze

    Produção: Gary Goetzman, John B. Carls, Maurice Sendak, Tom Hanks, Vincent Landay

    Fotografia: Lance Acord

    Trilha Sonora: Carter Burwell

    Estúdio: Playtone Productions, Warner Bros, Wild Things Productions

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Alice Parkinson, Catherine Keener, Catherine O'Hara, Forest Whitaker, James Gandolfini, Lauren Ambrose, Max Records, Michael Berry Jr., Paul Dano, Tom Noonan

  • Crítica

    15/01/2010 11h52

    Onde Vivem os Monstros é um filme que não se classifica por infantil ou adulto. Na verdade, é bem possível que crianças muito pequenas tenham medo. Por isso a classificação de dez anos me parece correta. A partir desta idade, conseguimos nos relacionar melhor com os sentimentos, angústias e conquistas do personagem Max (Max Records) e, talvez, possamos manter essa relação por toda a vida, se deixarmos o canal sempre aberto e sintonizado.

    Desde quando foi lançado em 1963, Where The Wild Things Are, livro escrito e ilustrado por Maurice Sendak, vendeu quase 20 milhões de exemplares, e dá a cada novo leitor a oportunidade de viajar na aventura de Max com muita liberdade para inventar histórias, diálogos e criar. Spike Jonze (Adaptação) propõe e compartilha sua visão de forma bastante orgânica.

    O longa-metragem flerta com a linguagem da fábula e combina a simbologia da jornada do herói com uma narrativa de ação e reação, buscando naturalidade no desenrolar das situações, sem forçar explicações ou tentar construir uma moral. Em contraste com o frio e o cinza da casa de sua família, a luz “natural” do mundo desconhecido é abundante cheia de verdes e tons de terra. Onde Vivem os Monstros, tanto o livro quanto a adaptação para o cinema, trabalha no registro de que a fantasia extrapola paredes reais. Para ir a lugares incríveis não é necessário deslocamento real, mas sim, a capacidade de imaginar.

    Num primeiro momento temos empatia por Max, um menino que só quer companhia para brincar, receber mais atenção e se sente deslocado. Apesar de entendermos perfeitamente os sentimentos de Max, também temos empatia pela irmã mais velha, cujos interesses são outros, e pela mãe que ao chegar em casa faz o melhor que pode, mas tem ambições no trabalho e amorosas.

    E mesmo assim, nem por um momento, Max deixa de ter razão em sua revolta. A sua forma de expressar a raiva por tudo o que não compreende é desajeitada e irracional, e o jeito de chamar a atenção é a bagunça, a gritaria. Fora de controle, ele foge... Quem nunca foi criança e disse que ia fugir de casa? Ou quase fez? E hoje, olhando para trás, saberíamos explicar exatamente o porquê? Talvez não, mas o que importa é que a comunicação com o protagonista aventureiro de Onde Vivem os Monstros se dá pela subjetividade.

    O que a visão do diretor busca - e alcança - é a nossa criança interior. Por isso, o filme vai muito além da empatia por uma criança deslocada. No final das contas, sempre gostaríamos de nos reconfortar no abraço de nossas mães. Amar é irracional e esse amor, sem dúvida, o mais verdadeiro que poderemos receber ou dar.

    Em sua jornada pelo desconhecido, Max chega num lugar selvagem habitado por criaturas bem maiores que ele e peludas. Ele tem medo, mas não pode dar o braço a torcer, a curiosidade é maior.

    No novo mundo, Max convence os monstros de que é especial, se proclama rei e promete que todos serão felizes. Eles aceitam o jogo. Na minha leitura, os monstros representam facetas exacerbadas de sentimentos humanos. Não é a toa que Max primeiro se identifica com Carol (James Gandolfini, O Sequestro do Metrô 1 2 3). Sentindo-se traído por KW (Laure Ambrose, Diggers), Carol, num acesso de raiva resolve destruir tudo, até mesmo a casa onde vive com seus amigos.

    Aos poucos, Max estabelece laços com os outros, e entende, mesmo com algumas tentativas frustradas pelo caminho, que não importa o quanto tente agradar, nunca todos estarão felizes porque os sentimos interferem. Nossas relações são repletas de sutilezas e incomunicabilidades. Ao tomar consciência de que não é possível controlar o outro e como as coisas acontecem, Max aprende o que é o indivíduo e dá conta de si como tal.

    Junto com a expressividade de Max, imersos na visão de Spike Jonze e embalados pela ótima trilha sonora assinada por Karen O and The Kids, Onde Vivem os Monstros é cheio de sacadas sobre nós mesmos. A minha, os monstros, na verdade representam nossos sentimentos mais selvagens, e vivem dentro de nós. Adultos cínicos podem negá-los, mas fica uma pergunta: quem disse que para sermos adultos temos de deixar a criança dentro de nós morrer?

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