Pôster - Operação Red Sparrow

OPERAÇÃO RED SPARROW

(Red Sparrow)

2016 , 139 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia: 01/03/2018

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Francis Lawrence

    Equipe técnica

    Roteiro: Justin Haythe

    Produção: David Ready, Jenno Topping, Peter Chernin, Steven Zaillian

    Fotografia: Jo Willems

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Chernin Entertainment, Film Rites, Soundtrack New York

    Montador: Alan Edward Bell

    Distribuidora: Fox Film do Brasil

    Elenco

    Attila C. Arpa, Bernardo Santos, Charlotte Rampling, Ciarán Hinds, Deborah Rock, Douglas Hodge, Emily Ng, Francis Lawrence, Jeremy Irons, Joel de la Fuente, Joel Edgerton, Joely Richardson, Julia Ubrankovics, Karen Gagnon, Kincso Norah Petho, Kristof Konrad, Lauren Glazier, Mary-Louise Parker, Matthias Schoenaerts, Nicole O'Neill, Sakina Jaffrey, Sasha Frolova, Sergei Polunin, Sergej Onopko, Thekla Reuten

  • Crítica

    28/02/2018 17h27

    Por Daniel Reininger

    Quem esperava que Operação Red Sparrow fosse como Atômica terá uma surpresa: o longa foca muito mais a espionagem e muito pouco a ação. Lembra mais a série The Americans, sem a mesma inteligência, do que o filme com Charlize Theron. E isso é algo positivo, afinal, temos poucas chances de ver thrillers de espionagem bem feitos hoje em dia.

    No longa, Jennifer Lawrence é uma espiã russa sensual, treinada para explorar os desejos sexuais de seus alvos. O filme tem uma premissa interessante, porém nem é leve o suficiente para ser apenas divertido e nem pesado e crítico o bastante para servir como reflexão sobre a questão do abuso e assédio. É um filme que não decidiu se queria conscientizar ou entreter e, por isso, fica aquém das expectativas.

    O diretor Francis Lawrence (Jogos Vorazes) tenta fazer um longa de espionagem sensual, mas sempre reforça o quão absurdo e errado é tudo aquilo, pesando a mão em diversas cenas. Porém, também é difícil levar a crítica do filme sobre desumanização a sério, exatamente pelo exagero da sensualidade.

    Se todas as cenas são construídas com um peso incrível, reforçando os traumas do abuso, por que não ir totalmente por esse lado? Ou se a ideia era fazer uma personagem sensual e badass, por que não focar apenas esse lado? Claramente foi um erro da direção ao não decidir um tom para a obra.

    Mesmo assim, o longa é curioso o suficiente para ser visto, afinal, em sua trama, Dominika Egorova é uma bailarina incapaz de voltar a dançar profissionalmente após um acidente no palco. Agora, ela tem que encontrar outra maneira de cuidar da mãe doente. Seu tio trabalha para o governo russo e, em troca de ajuda, ele pede à garota para seduzir um de seus maiores fãs, que é também uma ameaça ao governo.

    Após se envolver em assuntos secretos, Dominika passa a ter duas opções: a morte ou, por ser uma mulher sedutora, aceitar um trabalho como agente. Ela é então enviada para uma instalação de treinamento onde jovens mulheres e homens são ensinados a eliminar qualquer traço de humanidade e oferecer seus corpos ao estado a fim de trocarem sexo por informações. É um processo longo, com muitas cenas de violência, mas que funciona melhor do que o restante do longa.

    Pois é, depois disso o ritmo se perde, o roteiro fica previsível e as explicações mirabolantes se multiplicam, afinal, em apenas três meses de treinamento, o alto comando russo acha que Dominika está pronta para seduzir o espião americano Nate Nash (Joel Edgerton) e levá-lo a revelar o nome do traidor que opera de dentro do governo de Moscou. E tudo se complica ainda mais quando Dominika passa a ter outros planos em mente. Fica difícil acreditar na habilidade da garota em lidar com situações tão adversas, além do mais, a apatia da protagonista, sempre vítima de situações pesadas, é irritante em certos momentos, o que faz o clímax ficar ainda mais improvável.

    Operação Red Sparrow gasta tanto tempo destacando o sexismo e violência da sua história que é difícil dar muita atenção para a questão da espionagem e para os detalhes mirabolantes de seu plano. O filme tem uma bela fotografia e design de produção, mas nem mesmo isso tira a atenção da violência. Se o foco é a violência, faltou profundidade. Se era a espionagem, devia dar espaço para a narrativa tirar proveito de todas as nuances do tema.

    Além do mais, Jennifer Lawrence é talentosa, assim como o resto do elenco, mas absolutamente nenhum ator parece confortável na tela. Sem falar que Lawrence é vitima de abuso por todo o filme e sempre tratada como objeto por todos, quase parece que o cineasta e produtores não entenderam o peso da própria história.

    Perturbador e brutal, o longa não pode ser considerado entretenimento puro. Só que ao amenizar cenas de tortura e inserir reviravoltas simplórias na trama, daquelas que fazem sucesso com a maioria do público, por mais inexplicável que seja, perde a capacidade de ser tratado como um drama realmente sério.

    No final, temos um longa cheio de potencial, mas incapaz de lidar com sua própria temática sem se enrolar e cair em armadilhas óbvias. Dito isso, algumas cenas são simplesmente impactantes o suficiente para valer o ingresso, pena que também aprofundam a sensação de desperdício. Quem sabe da próxima vez o tom será decidido antes das filmagens e teremos uma produção de muita qualidade, como essa poderia ter sido se soubesse para onde seguir logo de cara.

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