OS DESAFINADOS

OS DESAFINADOS

(Os Desafinados)

2007 , 139 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/08/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Walter Lima Jr.

    Equipe técnica

    Roteiro: Suzana Macedo, Walter Lima Jr.

    Produção: Flávio R. Tambellini

    Fotografia: Pedro Farkas

    Trilha Sonora: Wagner Tiso

    Elenco

    Alessandra Negrini, Ângelo Paes Leme, Cláudia Abreu, Jair de Oliveira, Michel Bercovitch, Renato Borghi, Rodrigo Santoro, Selton Mello, Vanessa Gerbelli

  • Crítica

    29/08/2008 00h00

    Pra quem gosta de efeméride, 2008 é um prato cheio. Já tivemos o documentário 1958 - O Ano que o Mundo Descobriu o Brasil, comemorando o cinqüentenário da nossa primeira Copa do Mundo de futebol, e agora temos também as comemorações dos 50 anos da Bossa Nova. É neste contexto que Os Desafinados, novo filme de Walter Lima Jr., é muito bem-vindo.

    Não se trata de um documentário, mas sim de uma obra ficcional, ambientada nos primórdios da Bossa Nova, repleta de personagens que fazem referências livres e/ ou homenagens a personalidades que realmente existiram. A essência do projeto lembra muito The Wonders - O Sonho Não Acabou, dirigido por Tom Hanks em 1996, que também homenageia toda uma época contando a história de um grupo fictício de rock-and-roll dos anos 60.

    Desenvolvido a seis mãos por Elena Soarez, Suzana Macedo e pelo próprio diretor, o roteiro de Os Desafinados começa a contar sua história na romântica cidade do Rio de Janeiro, na virada dos anos 50. Uma era ainda sem tropas de elite. É neste contexto que um grupo de amigos forma a (fictícia) banda Rio Bossa Cinco, com o sonho de conquistar a América por meio da Bossa Nova, naquele momento histórico quando, pela primeira vez, o Brasil passava à condição de "exportador" de música. A partir daí, o filme explora os sonhos, desencantos, traições, vitórias e derrotas destes jovens brasileiros vivendo intensamente uma utopia que parecia possível num país que sinalizava novos ares de liberdade e desenvolvimento. Ninguém sabia, ainda, que os anos de chumbo estavam batendo na porta.

    Os Desafinados é um filme feito com coração. Praticamente uma catarse dos sentimentos vividos pelo próprio diretor, nascido em Niterói, que tinha 19 anos quando João Gilberto virou a cabeça do mundo musical com seu banquinho e seu violão. Trata-se de uma declaração de amor a uma época onde as coisas pareciam mais simples e o país dava indícios (só indícios) que iria decolar no cenário musical, social, político, esportivo, cinematográfico e econômico do planeta.

    Tanto o filme é movido à paixão que o diretor batizou os personagens com nomes de amigos que queria homenagear. Assim, o nome David (Ângelo Paes Leme) homenageia o cineasta David Neves; PC (André Moraes) lembra Paulo César Saraceni; e assim por diante. Uma das referências mais marcantes é a do personagem Joaquim (Rodrigo Santoro), cuja trajetória dentro do filme referencia o seqüestro do músico brasileiro Teófilo Junior, em Buenos Aires, jamais solucionado até hoje.

    Fazia mais de dez anos que Lima Jr., não dirigia para a tela grande, desde o sensível A Ostra e o Vento, de 1996. É bom constatar que ele não perdeu a mão. Além de contar com um elenco que é fortíssimo chamariz de bilheteria, Os Desafinados tem uma marcante fotografia de Pedro Farkas, reconstituição de época convincente e uma produção das mais caprichadas, inclusive com locações em Nova York e Buenos Aires. Como não poderia deixar de ser, a música - sob o comando de Wagner Tiso - é um capítulo a parte, misturando grandes sucessos da época da Bossa Nova com novas músicas especialmente compostas para o filme. Sem perder o tom.

    Há, porém, escorregadelas que incomodam. Uma delas é um defeito muito constante, por exemplo, nas minisséries históricas globais: um didatismo por vezes infantil, fruto do receio que o grande público não compreenda determinadas passagens. Exemplo: o personagem negro fazendo amor exatamente no instante em que a televisão mostra o histórico discurso de Martin Luther King (I have a dream... ). Soa forçado. O epílogo também causa estranheza: qual seria, exatamente, a idade daquele jovem personagem que chega no final? Parece que as contas não batem.

    De qualquer maneira, tem o grande mérito de tentar fazer uma ponte entre o jovem consumidor de cinema brasileiro (que deverá ser atraído principalmente pelas presenças de Selton Mello e Rodrigo Santoro) e uma época que provavelmente este mesmo jovem desconheça. Cumprindo assim uma das funções primordiais do cinema que é a de informar.

    Não é pouco para toda uma geração que acha que Cinema Novo é a nova sala inaugurada no multiplex no shopping da esquina.

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