OS DONOS DA NOITE (2007)

OS DONOS DA NOITE (2007)

(We Own the Night)

2007 , 117 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/11/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • James Gray

    Equipe técnica

    Roteiro: James Gray

    Produção: Joaquin Phoenix, Marc Butan, Mark Wahlberg, Nick Wechsler

    Fotografia: Joaquín Baca-Asay

    Trilha Sonora: Wojciech Kilar

    Estúdio: 2929 Productions

    Elenco

    Alex Veadov, Antoni Corone, Burton Perez, Edward Conlon, Eva Mendes, Joaquin Phoenix, Katie Condidorio, Mark Wahlberg, Robert Duvall, Tony Musante

  • Crítica

    15/11/2007 00h00

    Não confunda os nomes: este Os Donos da Noite nada tem a ver com Os Donos da Noite de 1989, com Eddie Murphy, embora sua trama seja ambientada nos anos 80. Confuso? Não é para menos. Depois da extinção do Concine, em 1990, os títulos dos filmes em português deixaram de ter algum tipo de controle e as traduções viraram um verdadeiro balaio de gatos. Hoje, o mercado brasileiro de cinema e DVD está, literalmente, Lost in Translation (perdido na tradução). Ou, Encontros e Desencontros, como traduziria algum "gênio" de marketing mais desavisado.

    De qualquer maneira, Os Donos da Noite é um belo e envolvente drama policial ambientado na violenta Nova York de 1988. É neste delicado momento da cidade que. Bobby (Joaquin Phoenix, de Gladiador), gerente de um badalado clube noturno, se vê numa posição das mais desconfortáveis. Por um lado, ele é um empresário da noite e sabe que é bom para os seus negócios tolerar a presença de traficantes em sua boate. Por outro, é irmão do tenente de polícia Joseph Grusinsky (Mark Wahlberg) e também filho de ninguém menos que o próprio chefe de polícia, Burt Grusinsky (Robert Duvall). Para piorar ainda mais a situação, Bobby usa um sobrenome artístico, escondendo de todo o submundo da noite que ele próprio também é descendente de russos. Quando a polícia passa a apertar o cerco contra a criminalidade, Bobby se vê obrigado a perceber - da forma mais dolorida - que será preciso tomar definitivamente uma posição. Nos negócios, na família, no amor e na vida.

    Concorrente à Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, Os Donos da Noite tem um sabor muito bem-vindo de O Poderoso Chefão. Assim como a obra-prima de Coppola, o filme também sabe como armar meticulosamente uma empolgante trama familiar que caminha caprichosa e perigosamente no fio da navalha do crime. Em vários aspectos, o personagem Bobby guarda pontos em comum com o de Michael Corleone (Al Pacino), principalmente no primeiro capítulo da trilogia. Ambos também são violentamente chamados a participar. Querendo ou não. E - coincidência ou não -, os dois filmes têm até um ator em comum: Robert Duvall.

    Talvez o clima de veracidade exalado por Os Donos da Noite se deva ao fato de seu diretor e roteirista, James Graym, ser ele próprio neto de imigrantes russos, além de ter sido criado no bairro nova-iorquino Queens. Este é apenas o terceiro longa do cineasta, que com sua (até agora) curta carreira já obteve várias premiações e indicações importantes, como a participação na Mostra Competitiva de Cannes com Caminho sem Volta (também com Phoenix e Wahlberg) e os dois prêmios obtidos no Festival de Veneza com Fuga para Odessa. Seu próximo projeto, Two Lovers, previsto para 2009, também será estrelado por Joaquin Phoenix.

    Os Donos da Noite não é uma história simplista de mocinhos e bandidos, mas sim de pessoas multifacetadas, repletas de humanidade que, por circunstâncias da vida, acabaram por se posicionar em lados opostos do muro. Um muro que agora está prestes a ruir.

    De fotografia densa e escura - coerente com o tema - e abordagem intimista, o filme guarda pelo menos um grande momento de tensão e beleza cinematográficas: numa angustiante perseguição de carros debaixo de uma pesada chuva, a direção opta por eliminar qualquer muleta musical e amplifica aflitivamente o ruído insistente dos limpadores de pára-brisa. Genial.

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