OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS

OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS

(The Royal Tenenbaums)

2001 , 103 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wes Anderson

    Equipe técnica

    Roteiro: Owen Wilson, Wes Anderson

    Produção: Barry Mendel, Scott Rudin, Wes Anderson

    Fotografia: Robert D. Yeoman

    Trilha Sonora: Mark Mothersbaugh

    Estúdio: Touchstone Pictures

    Elenco

    Anjelica Huston, Ben Stiller, Bill Murray, Danny Glover, Gene Hackman, Gwyneth Paltrow, Luke Wilson, Owen Wilson

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Os irmãos Tenenbaum tiveram infâncias, no mínimo, inusitadas. Chas se transformou num gênio das finanças antes dos dez anos. Richie, num campeão dos esportes. E Margot era constantemente apresentada por seu pai como “esta é minha filha adotiva”. A mãe, Etheline, sempre fez de tudo para dar a melhor educação possível aos três, mas o pai, Royal, estava longe de ser um bom modelo. Não por acaso, as crianças cresceram e tiveram destinos nada gloriosos. Agora, os Tenenbaum estão desagregados, mas o velho Royal não vai medir esforços para promover o reencontro familiar.

    Escrito e dirigido por Wes Anderson (o mesmo de Pura Adrenalina e Três É Demais), Os Excêntricos Tenenbaums é uma crítica sarcástica ao chamado estilo de “dar certo na vida”, presente na maioria das famílias de classe média. Quando crianças, os três irmãos têm todas as portas das artes, literatura, esportes e negócios abertas diante de si. Mas não têm estrutura familiar para manter o sucesso precoce por muito tempo. O bom senso materno é prejudicado pela total insensibilidade paterna e os problemas psicológicos afloram rápida e decisivamente nas vidas de Chas, Richie e Margot.

    Não se trata, porém, de um drama. Pelo contrário. O filme é pura ironia da primeira à última cena. Um humor agridoce que deixa o espectador ao mesmo tempo atônito e ávido pela próxima cena.

    Tudo em Os Excêntricos Tenenbaums é estilizado. Assim como Jean-Pierre Jeunet criou uma Paris de cores fortes e grão estourado para sua Amèlie Poulain, Wes Anderson também imaginou uma Nova York falsa para os seus Tenenbaums. Os prédios, as cores, os carros, tudo remete a uma Nova York estranha, como se tomasse lugar num bairro que ninguém conhecesse. Roupas, cabelos e maquiagens também são fortemente estilizados e, ao final da projeção, o espectador se percebe incapaz de determinar em que década toda a história é contada. Wes Anderson desenterra até o movimento de lentes em “zoom”, coqueluche dos anos 60 e 70, e totalmente fora de moda no cinema atual.

    Para que todo este sarcasmo funcionasse perfeitamente, faltou, no entanto, um “molho inglês” ao texto. Apesar da soberba interpretação de um elenco composto por verdadeiras feras do cinema, Os Excêntricos Tenenbaums peca pela ausência de um texto mais elaborado, de diálogos mais afiados. Ingredientes que os ingleses têm de sobra na sua culinária cinematográfica, mas que dificilmente os norte-americanos conseguem alcançar.

    O filme concorre ao Oscar de Roteiro Original.

    13 de março de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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