OS HOMENS QUE ENCARAVAM CABRAS

OS HOMENS QUE ENCARAVAM CABRAS

(The Men Who Stare at Goats)

2009 , 90 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 26/03/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Grant Heslov

    Equipe técnica

    Roteiro: Peter Straughan

    Produção: George Clooney, Grant Heslov, Paul Lister

    Fotografia: Robert Elswit

    Trilha Sonora: Rolfe Kent

    Estúdio: BBC Films, Smoke House

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Ewan McGregor, George Clooney, J.K. Simmons, Jeff Bridges, Kevin Spacey, RobertPatrick, Stephen Lang, Stephen Root

  • Crítica

    26/03/2010 13h25

    É uma pena que a estreia de Os Homens que Encaravam Cabras tenha sido adiada e, pior, que o filme de Grant Heslov tenha sido ignorado pelas principais premiações e festivais, à exceção de Veneza.

    Trata-se de um filme que se apropria do cômico para conseguir contar verdades que, sem o riso, teriam mais dificuldade em chegar às salas de cinema. O humor negro funciona como uma ótima ferramenta para apresentar aos poucos a que veio: relacionar o mundo no qual vivemos hoje com as transformações dos anos 60.

    O grupo que Heslov resolve abordar é o Exército norte-americano. Nos anos 70, foi criada uma unidade experimental que, em vez de armas, usava a mente no combate. O Exército da Nova Era estava sob o comando de Bill Django (Jeff Bridges em mais uma ótima atuação), que tinha como principal soldado Lyn (George Clooney). Tempos de LSD, deixar a música fluir, superar traumas pessoais, aflorar a sensibilidade.

    Corta. Sai Guerra do Vietnã e entra ocupação do Iraque. Em 2003, o pacato jornalista Bob Wilton (Ewan McGregor) procura apenas uma boa história para contar. Ela simplesmente cai no seu colo quando conhece... Lyn. Passado e presente são espelhos, entrelaçam-se e a história se desenvolve.

    Para aceitar os rumos de Os Homens que Encaravam Cabras, é preciso conceder uma licença poética ao roteiro de Peter Straughan. Os ganchos que ele utiliza para Bob procurar uma aventura no Iraque, o encontro entre o jornalista e o militar veterano, a maneira que a dupla escapa de perigos no meio do deserto, entre outras viradas, são simplistas. Aceitando a necessidade das muletas para manter o ritmo do filme, não será difícil sentir a empatia crescer gradualmente.

    Porque o texto é muito bom, assim como a interação dos personagens. Mas, acima de tudo, da ironia ao Exército, ao belicismo e ao ar sisudo que ele carrega. Um dos méritos de Os Homens que Encaravam Cabras (só assistindo ao filme para entender o título) é não humanizar a instituição.

    Não existe uma defesa do Exército como salvador. Nas entrelinhas do filme, Lyn e Bill são meros marginais que ousaram discordar do oficial e construir outras bases. Nos anos 2000, onde impera o ceticismo, o jornalista Bob pergunta-se: o que fazer hoje para mudar?

    Aí penso na relação entre o ceticismo e o lúdico. Podemos atravessar paredes metafóricas, sejam elas quais forem nos nossos círculos. Talvez, como propõe Selton Mello em seu novo filme O Palhaço, sonhar é uma das manifestações mais radicais hoje. E este é a principal base de Os Homens que Encaravam Cabras: sonhar é possível.

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