OS MONSTROS

OS MONSTROS

(Os Monstros)

2010 , 81 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 16/09/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

    Equipe técnica

    Roteiro: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

    Produção: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

    Fotografia: Ivo Lopes Araújo, Victor De Melo

    Estúdio: Alumbramento

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Aline Silva, Ana Luiza Rios, Guto Parente, Igor Graziano, Luiz Pretti, Natasha Faria, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti, Victor Furtado, Ythallo Rodrigues

  • Crítica

    12/09/2011 17h23

    Os Monstros é um grande filme sobre a amizade e a criação artística. Irmão gêmeo de Estrada Para Ythaca, infelizmente pouco visto no circuito e lançado graças aos esforços da Sessão Vitrine, é um interessante capítulo para um cinema brasileiro possível.

    Não tem o apoio maciço de mídia da Globo Filmes nem o suporte dos editais que garantem anualmente uma cota da “tradição de qualidade” do cinema brasileiro. Os Monstros é um filme pobre em dinheiro, mas rico em talento, e representa o esforço coletivo de realizadores cearenses em fazer cinema

    Os Monstros se insere numa linhagem de cinema que permite ao espectador apenas um fiapo de enredo para não perdê-lo durante a sessão. No alto de uma laje à noite João executa em sua flauta uma melodia triste, dissonante. A metrópole ao fundo o condena e a imensa escuridão acolhe seu desolamento. Sua namorada o observa, volta para a casa e arruma as malas – do namorado. Ela o tira de casa e João vai para a rua buscar arrego na bebida e nos amigos, iniciando uma pequena jornada para encontrar seus pares.

    De resto, é cinema do começo ao fim, sem gordura: o plano – imagem a que assistimos entre um corte e outro – é quem deve (e consegue) conquistar o espectador. É com a performance etílica do quarteto que interpreta, dirige e produz que surge a identificação. É com a jovialidade do espírito de resistência quando a mediocridade bate à porta que o filme encanta.

    Este longa tem o maravilhoso efeito de nos fazer sentirmos jovens para sempre. Isto porque, como jovens, o quarteto realizador de Os Monstros, amigos concentrados em torno da produtora/coletivo Alumbramento, do Ceará, coloca uma questão cara para quem busca construir uma identidade: a sua colocação no mundo.

    Joaquim e Pedro, os melhores amigos do protagonista João, abandonam um trabalho alienante como operadores de som e vão fazer o que acreditam. O próprio músico que trova solitário tenta encontrar seu público num barzinho, mas é enxotado por um cantor que, empunhando violão, usa o que há de mais clichê no repertório: cantar Djavan.

    Os quatro se encontram, juntam forças e decidem fazer um trabalho musical de ruptura, arretado, culminando num sublime e longo plano-sequência no final, resultado de uma alucinante jam session. É neste momento que Os Monstros chega num nível acima: qual é o espaço para uma arte rebelde em 2011? Quais ouvidos vão se interessar pela flauta dissonante de João?

    Questão obviamente metalinguística, pois, assim como seus personagens, os realizadores buscam um cinema de risco. Qual o espaço no cruel sistema de distribuição e exibição de cinema para Os Monstros? Como encontrar a plateia que compartilha das mesmas questões?

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