OS OLHOS AMARELOS DOS CROCODILOS

OS OLHOS AMARELOS DOS CROCODILOS

(Les Yeux Jaunes des Crocodiles)

2014 , 118 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 02/07/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Cécile Telerman

    Equipe técnica

    Roteiro: Cécile Telerman, Charlotte De Champfleury

    Produção: Manuel Munz

    Fotografia: Pascal Ridao

    Trilha Sonora: Frédéric Aliotti

    Estúdio: Les Films Manuel Munz

    Distribuidora: Mares Filmes

    Elenco

    Alice Isaaz, Alysson Paradis, Ariel Wizman, Bruno Debrandt, Edith Scob, Emmanuelle Béart, Jacques Weber, Jana Bittnerova, Julie Depardieu, Karole Rocher, Nancy Tate, Nathalie Besançon, Patrick Bruel, Quim Gutiérrez, Samuel Le Bihan

  • Crítica

    02/07/2015 16h17

    Uma das virtudes que um roteirista precisa empregar na hora de realizar uma adaptação é o desapego. Transformar páginas de um livro em cenas na tela é um trabalho árduo e cortes cirúrgicos na dramaturgia literária são necessários para que a coisa funcione no escurinho do cinema. No caso de Os Olhos Amarelos Dos Crocodilos, não foi isso o que aconteceu.

    O romance de Katherine Pancol tem quase 500 páginas. Portanto, é lógico que alguma redução seria necessária para que a história funcione como longa-metragem. No entanto, o roteiro não consegue diminuir a importância dramática de alguns personagens e o que sobra é um filme de quase duas horas de duração com uma quantidade excessiva de conflitos.

    A trama principal gira em torno nas irmãs Joséphine (Julie Depardieu, de A Arte De Amar) e Iris (Emmanuelle Béart, de Anos Incríveis). A primeira é uma tímida acadêmica que acaba de se divorciar. A outra é uma socialite que tenta preencher seu tempo vago com frivolidades.

    Iris suspeita que o marido (Patrick Bruel, de Qual o Nome do Bebê) está tendo um caso com uma colega de trabalho. Para provar que não é apenas um rosto bonito, ela mente que está escrevendo um romance. Ela contrata a irmão para ser uma escritora-fantasma e manter a farsa em pé. A princípio, Joséphine não quer o trabalho, mas as dívidas oriundas da separação são motivadoras o suficiente para que ela entre na empreitada.

    A rivalidade fraternal aumenta quando o romance se torna um best-seller. Joséphine ganha dinheiro suficiente para sanar os débitos, mas a fama sobe à cabeça de Iris. A situação potencializa a dupla a reviver diferenças do passado.
    Se o roteiro de Os Olhos Amarelos dos Crocodilos se limitasse nas irmãs, o filme poderia servir para discutir a sociedade do espetáculo, o jogo de aparências e a questão da autoria. No entanto, os conflitos secundários são tantos, que não sobra muito tempo para as reflexões.

    Do lado de Joséphine, há toda a jornada de Antoine (Samuel Le Bihan, de Inimigo Público nº 1), seu ex-marido que se muda para a África do Sul com a intenção investir em uma fazenda de crocodilos. Depois de separada, a pesquisadora começa a se aproximar de Luca (Quim Gutiérrez, de O Quarto Secreto) e o flerte também toma mais tempo do que o necessário.

    Do lado de Iris, há um núcleo dramático inteiro para seu padrasto  e mãe. O homem está preso em um casamento infeliz e mantém um caso com uma funcionária. De todas as gorduras do roteiro, esse triângulo amoroso certamente é o mais desnecessário.

    Para completar a bagunça, ainda tem os filhos e amigas das protagonistas, todos com seus dramas pessoais. Assim, conforme caminha para o fim, Os Olhos Amarelos dos Crocodilos criou tantas tramas para dar conta, que é inevitável um desfecho atribulado, como o último capítulo de uma telenovela terminada às pressas.

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