OS REIS DA RUA

OS REIS DA RUA

(Street Kings)

2008 , 109 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 18/04/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Ayer

    Equipe técnica

    Roteiro: James Ellroy, Jamie Moss, Kurt Wimmer

    Produção: Alexandra Milchan, Erwin Stoff, Lucas Foster

    Fotografia: Gabriel Beristain

    Trilha Sonora: Graeme Revell

    Elenco

    Amaury Nolasco, Chris Evans, Common, Forest Whitaker, Hugh Laurie, Keanu Reeves, Naomie Harris, Terry Crews

  • Crítica

    18/04/2008 00h00

    Mais uma vez, o cinema prova ser um dos melhores espelhos para retratar a realidade de cada época. Este ano de 2008, por exemplo, o último da lamentável Era Bush Filho, já tem na tela grande um forte representante da ideologia fascista que se instalou nos EUA, principalmente depois de 11 de setembro: Os Reis da Rua.

    O tema está longe de ser uma novidade: a corrupção policial. Mas raramente se vê um filme tão a favor a ela. O "herói" da história é o policial Tom Ludlow (Keanu Reeves, novamente fazendo o papel de Keanu Reeves, que ele interpreta tão bem), verdadeira máquina de matar que não dá a menor importância para a ética profissional, desde que consiga obedecer aos mandamentos de seu chefe, o capitão Jack Wander (Forest Whitaker), a quem serve fielmente.

    Logo nos primeiros minutos do filme vemos Tom saindo de sua casa (devidamente enfeitada com a bandeira norte-americana, é claro) para realizar mais um serviço sujo ordenado pelo patrão. A idéia é executar um punhado de coreanos malvados e resgatar duas crianças de um seqüestro. Assim como 007, Tom também tem a sua permissão para matar, mesmo porque caso qualquer coisa dê errado, Jack Wander estará sempre por perto, para limpar sua barra. A chantagem emocional com o público é rápida, rasa e imediata: "claro" que vale a pena encher aqueles coreanos horrorosos de balas, se for
    para tirar duas crianças do cativeiro. Está estabelecido o link de empatia com o herói.

    A partir daí, o diretor David Ayer (que também escreveu Dia de Treinamento, Velozes e Furiosos e SWAT, entre outros) desenvolve mais uma daquelas histórias de policiais corruptos e de corregedoria que já vimos dezenas de vezes no cinema. Corporativismo, traições, chantagens, bons tiroteios, ação comercial, perseguições, nada de especial. Com direito até à velha ladainha do sujeito que é violento porque carrega o trauma de um passado trágico com a esposa. Em determinado momento, Tom chega a afirmar: "A Polícia pode tudo".

    Roteirizado a partir do argumento de James Ellroy (o mesmo autor de Dália Negra e Los Angeles - Cidade Proibida), Os Reis da Rua passaria batido, esquecido no limbo da mesmice, não fosse por um detalhe ideologicamente importante: o "herói" que se mostra fascista durante toda a projeção, que defende a justiça pelas próprias mãos, é colocado, sim, como o exemplo a ser seguido. Contrariamente a outros trabalhos do gênero, Os Reis da Rua faz a apologia do desrespeito à lei e à ética, do revanchismo e, conseqüentemente, da invasão daquilo que deve ser invadido. Seja o esconderijo dos bandidos, ou o Iraque, tanto faz, já que "A Polícia pode tudo".

    Revoltante? Execrável? Sem dúvida. Mas perfeitamente coerente com o país e com a época em que o filme foi produzido.

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