OS REIS DO IÊ IÊ IÊ

OS REIS DO IÊ IÊ IÊ

(A Hard Day's Night)

1964 , 88 MIN.

anos

Gênero: Musical

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Richard Lester

    Equipe técnica

    Roteiro: Alun Owen

    Produção: Denis O'Dell, Walter Shenson

    Fotografia: Gilbert Taylor

    Trilha Sonora: Beatles

    Elenco

    George Harrison, John Lennon, Norman Rossington, Paul McCartney, Ringo Starr, Rosemarie Frankland, Wilfrid Brambell

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É como entrar no Túnel do Tempo. As luzes do cinema se apagam, a tela é iluminada por deslumbrantes imagens em preto-e-branco e a música A Hard’s Day Night sacode as caixas acústicas. Em cena, John, Paul, George e Ringo. Os próprios. Não exatamente em carne e osso, mas em celulóide. Passados quase 37 anos do seu lançamento nos cinemas, o filme Os Reis do Iê Iê Iê ainda arrepia. Pelo menos a quem viveu um pouquinho daquela época.

    Por outro lado, fazendo uma análise fria, não devemos nos enganar. Nos dias de hoje, o único interesse que o filme desperta é o nostálgico. O roteiro – espantosamente indicado para o Oscar – não é nada além de um tênue fiozinho de história que conduz alguns números musicais. Tudo não passa, a rigor, de um veículo de divulgação internacional do famoso quarteto de Liverpool. O próprio diretor Richard Lester admitiu, numa entrevista recente, que tudo teve de ser feito às pressas, já que os executivos da United Artists – empresa responsável pela distribuição do filme nos Estados Unidos – acreditavam que o grupo não conseguiria manter o sucesso por mais de um mês e, por isso, Os Reis do Iê Iê Iê deveria ser lançado imediatamente, para aproveitar a onda. Que visão empresarial!

    A trama, se é que existe, mostra os Beatles se preparando para uma apresentação ao vivo na televisão inglesa. Não bastasse a irreverência dos rapazes, avessos a qualquer tipo de formalismo, surge também na história o avô de Paul McCartney (interpretação do ator Wilfrid Brambell), um simpático velhinho disposto a curtir a vida em toda a sua intensidade. Nos diálogos, a mensagem é aquela que comandaria os rumos dos anos 60: o importante é viver, saborear o dia-a-dia, questionar as instituições formais pré-estabelecidas. A própria música tema reclama: “Tenho trabalhado como um cachorro. Deveria estar dormindo como uma pedra”. Mas – novamente –, não devemos nos enganar: os Beatles fazem todo este questionamento vestindo paletó e gravata. Ainda era a época do início do grupo, dos cabelinhos de corte tigela, pré-gurus indianos e pré-Yoko Ono. As letras – preste atenção – diziam coisas do tipo “Ela tem ama, sim, sim, sim”. A ingenuidade ainda imperava.

    De qualquer maneira, não deixa de ser um programão entrar no escurinho do cinema e saborear – em excelentes e novíssimas cópias - estes 88 minutos de uma deliciosa viagem no tempo.

    31 de janeiro de 2001
    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus